Quem é Pedro Castillo, o novo presidente do Peru?

No último 28 de julho, dia que marca os 200 anos da independência peruana, o professor Pedro Castillo assumiu o cargo de presidente do país. Contudo o candidato do Perú Libre tem muitos desafios para enfrentar pela frente.

Em primeiro lugar o atual cenário político do Peru é instável. Em quatro anos, o país teve quatro presidentes: Pedro Pablo Kuczynski, o PPK, Martín Vizcarra, Manuel Merino e Francisco Sagasti.

Por isso, hoje no Boletim Econômico veremos quem é Pedro Castillo e qual o cenário que o professor assume a presidência de nosso vizinho. Vamos lá?

ELEIÇÕES POLARIZADAS

As eleições peruanas não amenizaram a polarização que o país passa, que permaneceu durante e depois o período eleitoral. Os dias de contagens dos votos foram marcados por muita tensão e ansiedade para saber quem seria o novo presidente do país.

Lembramos que o país não adota um sistema de urnas eletrônicas como o Brasil, o que faz com que os resultados demorem mais tempo para saírem. Em especial, dos votos que vem dos peruanos que moram e votam no exterior.

Keiko Fujimori e Pedro Castillo durante um dos debates presidenciais.

Como resultado, a diferença entre os candidatos foi apenas de 44.058 votos. Castillo obteve 50,125% dos votos, enquanto Keiko Fujimore 49,875%. Contudo tampouco o resultado das eleições foi capaz de amenizar a tensão política do país, Fujimori acusou o processo eleitoral de fraude, o que atrasou a definição do presidente do Peru.

Como resultado a não ser que Castillo não queira terminar seu mandato, ele vai ter que ter uma postura conciliadora durante seu tempo como presidente. Além das tensões externas, Castillo enfrenta dificuldades dentro de seu partido. Falaremos mais sobre isso no fim do texto.

ORIGENS DE PEDRO CASTILLO

Antes de mais nada Pedro Castillo é um professor escolar sem uma carreira política expressiva que vem de Puña, zona rural localizada ao norte do Peru. Castillo lecionou durante 22 anos na Escola 10465, mesma escola em que estudou quando criança.

Em entrevista com Medea Benjamin da Revista Jacobin, o atual presidente diz ter lutado pela educação desde jovem. Isso porque é filho de país analfabetos, problema recorrente em sua região natal devido a pobreza e falta de atenção do Estado.

Pedro Castillo
Vista panorâmica da cidade de Puña, onde Castillo nasceu.

O Departamento de Cajamarca, onde é localizado Puña, ironicamente é a região onde está localizada a maior mina de ouro da América do Sul. Contudo a distribuição da renda não ocorre e a maioria dos lucros da mineração vão para o exterior no processo de repatriação de lucros das empresas mineradoras.

De acordo com a Reuters, aproximadamente 70% dos moradores de Puña vivem na pobreza, com menos de USD 100 por mês (por habitante).

Como resultado, os moradores da região pouco usufruem de sua riqueza, além da baixa escolaridade, eles sofrem de outros males. A falta de infraestrutura na região faz com que muitas casas não tenham energia elétrica e saneamento básico, entre outros.

“PALABRA DE MAESTRO”

Durante sua campanha presidencial Pedro Castillo levantou duas bandeiras para se eleger: ser um político novo e sua luta a favor da educação.

Primeiro, Castillo se coloca como um político “novo, limpo e anti-establishment, em sua narrativa, representado por Fujimori, que ganhou na capital, Lima, e no norte do país, regiões mais ricas do Peru.

A crise sanitária causada pela pandemia do COVID-19 e os casos de corrupção envolvendo sua oponente ajudaram na construção dessa narrativa.

Além disso, a crise institucional que o Peru passa desde 2016 também ajudou o atual presidente, isso porque parte da população peruana se sente relutante em votar em candidatos e partidos envolvidos.

Pedro Castillo
Castillo durante um de seus comícios eleitorais segurando um lápis gigante, que se tornou um de seus símbolos.

A educação foi a bandeira que Castillo lutou a favor durante toda sua vida. E foi como líder sindical dos professores que ele ganhou espaço no cenário político peruano. Apesar de ter concorrido (sem sucesso) em 2002 à presidência da câmera de Anguia pelo partido de centro-esquerda Perú Possible.

Ele também foi membro principal do partido entre 2005 e 2017, ano em que o partido se dissolveu.

Porém, foram durante as greves de 2017 que se tornou líder sindical. Os grevistas lutavam pelo aumento de salários, pagamento da dívida social, revogação a Lei da Carreira de Professor Público e pelo aumento do orçamento do setor da educação.

Ao decorrer do período eleitoral, Castillo sempre levava consigo um lápis gigante e acabava seus discursos com a frase “palabra de maestro.”

CENÁRIO DELICADO

Por fim ainda é cedo para falar sobre como será a presidência de Castillo, contudo temos apenas uma certeza: o presidente tem muitos desafios pela frente. Por isso ele vai precisar de um delicado jogo de cintura para se manter no poder.

Para além do cenário político já delicado no Peru, que enfrentou um longo período de crise institucional nos últimos anos, e as provocações de Keiko Fujimore e seus apoiadores, parte deles, membros da elite peruana.

Outro desafio é seu próprio partido, que exige que tome uma posição mais a esquerda, ao mesmo tempo que o cenário externo o obriga ter um discurso mais moderado ao centro.

Em suma, Castillo terá que trabalhar para equilibrar as pressões de ambos os lados caso quiser dar ao Peru um período de maior estabilidade e prosperidade.

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