O BREXIT e a falta de alimentos

Em 31 de janeiro de 2020, o Reino Unido deixava oficialmente a União Europeia, que invocou pela primeira vez o Tratado de Lisboa (2009).

Contudo, por ter sido o primeiro membro a deixar o bloco, sua saída foi cercada de incertezas para ambos os lados. Por isso, ainda hoje observarmos quais são os impactos disso. E além do mais, a pandemia do Covid-19 piorou essa situação.

Sendo assim, no artigo de hoje do Boletim Econômico, falaremos sobre como o BREXIT está afetando a cadeia de abastecimento de alimentos na terra da rainha. Então, quer saber como o BREXIT teve efeito na falta de alimentos no Reino Unido? Vamos lá!

Como a pandemia afeta a situação?

Assim como no restante do mundo, a pandemia do COVID-19 afetou a economia britânica, sendo que o Reino Unido foi um dos países mais afetado de todo o continente.

E o avanço da variante Delta preocupa o governo central de Londres, apesar de terem uma das taxas de população vacinada mais altas da Europa. De acordo com o Office for National Statistics, 78% dos residentes do Reino Unido receberam ao menos uma dose da vacina.

E vale ressaltar que, apesar do aumento das infecções, as taxas de casos graves, internações e mortes por COVID-19 continuam baixas. O que mostra o efeito da vacina para o combate à pandemia.

Reino Unido é um dos países com maior taxa de vacinação na Europa.

Contudo, para conter o avanço da Delta, o governo britânico exige que aqueles que tiveram contato com alguém infectado façam uma quarentena de dez dias. Alguns setores chave da cadeia de suprimentos britânica têm pedido ao governo para substituir isso por testes rápidos diários. Pois assim evitariam que os trabalhadores ficassem ausentes por dez dias.

De acordo com o jornal português Expresso, aproximadamente 20% dos trabalhadores britânicos estão em casa por conta desta regra do governo.

Além disso, a pandemia também foi responsável por atrasar a contratação de funcionários, como por exemplo no segmento de transportes pesados. Segundo a Road Haulage Association (RHA), antes da pandemia o Reino Unido possuía 600 mil caminhoneiros. Agora, o país possui apenas 100 mil. Sendo que este é um setor chave para a a logística do país.

Por último, a pandemia fez com que muitos trabalhadores europeus retornassem a seus países de origem, o que agravou ainda mais o quadro.

E o BREXIT?

Como consequência já esperada do BREXIT, a oferta de trabalhadores no Reino Unido caiu. Porém, é impossível negar que a pandemia acelerou esse processo.

Como citado no tópico anterior, muitos trabalhadores voltaram aos seus países de origem por conta da pandemia. O British Poultry Council afirmou que quase 7.000 vagas surgiram por conta disso.

Para mais, a saída do Reino Unido dificultou para os cidadãos do bloco europeu trabalharem na Terra da Rainha. Isso porque agora necessitam de um visto, o que antes não era necessário graças à Zona de Livre Comércio (ZLC) que havia dentro da União Europeia.

Eurotunel, que liga o Reino Unido e a Europa Continental pela França.

Agora, além de mais burocrático, o processo também é mais demorado, fazendo com que muitos trabalhadores optem por migrar dentro do bloco, para países como Alemanha e França.

Ademais, as empresas também dão preferência para se instalarem dentro do bloco, uma vez que têm acesso a um mercado maior. A atração de trabalhadores europeus poderia ser uma saída para a crise, mas o BREXIT apenas piorou a situação para os britânicos.

Por fim, a saída do bloco também criou barreiras alfandegárias burocráticas, que dificultam o comércio entre os dois lados e a importação de suprimentos pelo Reino Unido. De acordo com o Santander, em 2019 seis países da União Europeia configuram entre os dez principais fornecedores ao Reino Unido, somando sozinhos 37,4% das exportações a Londres.

Ou seja, por conta de todos esses fatores, o BREXIT acabou tendo um efeito direto na falta de alimentos no Reino Unido. E isso em especial por agravar os efeitos que a pandemia teve no abastecimento do país.

Consequências

Como consequência, cenas de prateleiras vazias em mercados ao redor do Reino Unido têm sido comuns e chocado o mundo. Eventualmente, os restaurantes também começaram a sofrer com essa falta de suprimentos. Apesar dos pequenos restaurantes serem os mais afetados, grandes cadeias de restaurantes também estão sofrendo os impactos desta crise.

Brexit alimentos
Prateleiras vazias em super-mercado britânico.

O McDonald’s anunciou que retirou temporariamente milk-shakes do cardápio de suas 1.250 lojas, além de também sofrer com a falta de bebidas engarrafadas. A rede de fast-food Nando’s fechou temporariamente 50 lojas por falta de frango, principal ingrediente de seu cardápio. O KFC também enfrenta as mesmas dificuldades que seu concorrente.

Por fim, essa crise corre risco de afetar até mesmo a venda de perus para o Natal de 2021. Assim, o impacto do BREXIT na falta de alimentos ainda não está solucionado, e a pandemia contribuir para piorar ainda mais essa situação.

Pressões internas

Por estas razões, grupos de interesse pressionam o governo britânico a tomar medidas para contornar a situação. Como já citado, eles exigem a substituição da quarentena obrigatória de dez dias por testes diários, em caso de contato com algum paciente que testou positivo. Além disso, exigem o aumento do número de permissões para caminhoneiros.

Uma das soluções encontradas pelas empresas britânicas foi a contratação de prisioneiros para cobrirem os espaços vazios na cadeia de abastecimento. Além de ser uma medida que ajuda com a economia, ela diminui os riscos que esses prisioneiros voltem a cometer crimes, uma vez que já estão inclusos no mercado de trabalho.

Brexit alimentos
A rede Nando’s fechou temporariamente 50 lojas.

Contudo, mais uma vez encontram obstáculos, pois o governo estipula uma cota de prisioneiros que podem sair para trabalhar. Por isso, não é possível cobrir todas as vagas apenas com prisioneiros ingleses. Logo, associações de empresas dos setores afetados tentam negociar um aumento dessas cotas com Londres.

Por fim, a oposição afirma que essa crise é consequência da abertura precoce promovida pelo governo de Boris Johnson. Uma vez que esta abertura permitiu o avanço da Delta no país.

E qual a sua opinião? Entendeu a relação do BREXIT com a falta de alimentos no Reino Unido? Não esqueça de deixar um comentário, e compartilhar a matéria com seus amigos!

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