A política da Hungria e as relações com o Brasil

Em janeiro de 2019, apenas dois líderes europeus estavam presentes no evento de posse do presidente Jair Bolsonaro: o líder português e o primeiro ministro da Hungria, Victor Orbán.

Na foto: Victor Orbán e Jair Bolsonaro.

Logo depois, o próprio Orbán declarou:

“A definição mais adequada da democracia cristã moderna hoje, pode ser encontrada no Brasil e não na Europa.”

Victor Orbán

Mas porquê esse fato é um problema? Continue com a gente e descubra!

Política Húngara Atual

Antes de mais nada, vamos lembrar que Orbán promoveu mudanças no sistema eleitoral e legislativo da Hungria alterando também na educação e no sistema judiciário do país.

Isso soa familiar? Bem, deveria.

Dessa forma, a maioria dos países europeus e do mundo avaliam suas mudanças uma clara ameaça a democracia.

Por analogia, líderes de Estado como Jair Bolsonaro e Donald Trump em seus mandatos, replicam as mesmas posturas e medidas, e isso chama a atenção dos cientistas políticos.

Da esquerda para direita: Jair Bolsonaro, Donald Trump e Victor Orbán

Segundo Nick Thorpe, jornalista que vive na Hungria há mais de 30 anos, Orbán em seu início defendia pautas liberais e libertárias, sendo um ativista contrário do comunismo húngaro.

Além disso, fundou do Fidesz, alternativa à Liga dos Jovens e, dessa forma, se posiciona como um democrata cristão de centro-direita.

Sobre o comunismo na Europa, o boletim já falou um pouco sobre o último ditador da Europa e pra você dar uma olhada basta clicar aqui.

Entendendo a Hungria

Sobretudo do ponto de vista histórico, a Hungria foi anexo de diversos impérios ao longo do tempo como o Otomano e o Áustro-Húngaro a partir de 1987 e entender sua história é essencial.

Mapa do Império Austro-Húngaro

Assim, no ano de 1918 com a implosão do império, a Hungria passou a perder territórios se aproximando do que é hoje.

Devido a essas perdas, nos anos 30 a Hungria inicia uma aproximação com a Alemanha culminando no apoio a Hitler em 1939 na segunda guerra.

Contudo, em 1944 próximo ao fim do conflito, eles tentam um armistício e em resposta Hitler invade o país.

Ao longo da história a Hungria também adere as repúblicas soviéticas em 1947. Com isso amarga por quase uma década um duro regime, com um alto número de morte e subjugo a trabalhos forçados.

Apenas em 1956 o país se rebela contra o regime, mas é suprimido somando 40 mil civis entre mortos e presos.

Em contrapartida, após esse episódio a Hungria adentra num regime menos radical e com relativa liberdade de imprensa e opinião.

Quem é Victor Orbán?

Assim, em 1991 com o fim da União Soviética e após 40 anos de comunismo na Hungria, um jovem ativista e líder estudantil desponta na luta por privatizações, reformas e um “choque de capitalismo”.

Segundo Nick Thorpe, que o conheceu nesse período, Victor Orbán era um jovem determinado e com uma postura bastante política, que para muitos ressoava como um “charmoso” liberal.

Jovem Victor Orbán

Assim, Orbán construiu uma carreia sólida sendo primeiro ministro de 1998 a 2002, se reelegendo outras 3 vezes em 2010, 2014 e 2018.

Em seu primeiro mandato, ele era visto como um político diplomático tanto com seus vizinhos, como com seus adversários políticos.

Sua postura em 2010 ao reassumir o poder muda, e ele passa a adotar uma política mais fechada e centralizadora, se mantendo no poder até hoje.

Nova direita nacionalista

Sobretudo em figuras como Victor Orbán, Donald Trump e Jair Bolsonaro, o movimento político da nova direita nacionalista ganha força. Isso graças ao apoio de parcelas da população que vêem neles uma representação legítima.

Essa nova forma de política, que muitas vezes é violenta, tem o hábito de colocar em xeque órgãos como a ONU e a OMS.

Além disso, na maioria dos casos agem de forma negacionistas criticando consensos científicos. A partir daí conceitos como aquecimento global e uso de vacinas são criticados por esses líderes.

Outro ponto perigoso é a postura nacionalista que em muito casos se aproxima da xenofobia e a severa crítica a identidade de gênero.

Parada contra medidas anti-LGBT na Hungria

A princípio nota-se que havia uma demanda ignorada de parte da população por esse tipo de política, que ao crescer ameaça os atuais modelos de democracia atuais.

Dessa forma eles constroem a chamada democracia da maioria, e não de todos.

Consequências

Nesse modelo “democrático” a imprensa se torna alvo de constantes ataques desses líderes. Isso pode ser visto na Hungria de Orbán, nos EUA de Trump e no Brasil de Bolsonaro.

Aliás, só pra relembrar:

Nesse sentido, Victor Orbán ao longo de seu período no poder, removeu mais de 500 licenças de veículos de imprensa.

Os veículos que operam no país em sua grande maioria ou estão sob controle do governo ou na mão de empresários que o apoiam.

Por fim, ao longo de seu governo Orbán empreendeu uma série de mudanças nos sistemas eleitorais de formas a favorecer que a legenda do Fidesz, seu partido sejam eleitas com mais facilidade.

As semelhanças são mais evidentes do que gostamos de admitir, mas ignorá-las coloca em risco as difíceis conquistas política e democrática do Brasil.

Precisamos estar atentos.

Diante de tantas ameaças e semelhanças perigosas e os atuais atos do 7 de setembro de 2021, cresce de importância a necessidade do Impeachment do atual presidente, visto que até mesmo opositores políticos se reúnem em manifestações no dia 12 de setembro de 2021, em resposta e em defesa da democracia e pelo direito ao debate de ideias.

Então, qual sua opinião? Deixa pra gente aí nos comentários, mas vamos tentar manter o decoro, beleza?! Até a próxima!

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