O que é Teoria dos Jogos e por que ela importa tanto para a economia?

Você com certeza já ouviu falar em “Teoria dos Jogos”.

Para algumas pessoas, esse nicho de estudos é o pesadelo durante a faculdade. Para outros (como essa que vos fala), é um prazer.

Mas além disso, Teoria dos Jogos é uma área muito importante para vários cursos. Principalmente, aqueles que lidam com a tomada de decisões estratégicas, como Economia e Relações Internacionais!

Dessa forma, é muito importante sabermos o que é. Vamos lá, então?

O que é Teoria dos Jogos?

Antes de mais nada, precisamos entender como a área surgiu.

Sendo assim, a Teoria dos Jogos surgiu dentro da matemática, e foi criada na intenção de resolver problemas que envolviam dois ou mais atores. Ou seja, problemas sociais.

John Von Neumann, um matemático húngaro, criou suas bases em 1928.

The Unparalleled Genius of John von Neumann | by Jørgen Veisdal | Cantor's  Paradise | Medium

Desse modo, essa teoria cria modelos de problemas. Com isso, esses modelos (chamados de “jogos”), servem para interpretar a realidade e várias situações dela.

Da mesma forma, a partir de um modelo e sua interpretação, um tomador de decisões pode decidir a melhor estratégia frente a um problema.

Ainda mais, esses modelos são construídos a partir de situações fictícias. No entanto, eles podem valer para várias situações reais.

Por isso, a Teoria dos Jogos nos ajuda, de forma matemática e lógica, a tomar uma decisão que garanta os melhores resultados possíveis.

Mas quais são esses modelos e como eles funcionam? Vamos entender alguns em seguida.

Porém, antes, vamos entender alguns termos muito importantes!

  • Jogada dominante: é a jogada que mais favorece individualmente um lado. Ou seja, a jogada que traz os melhores resultados para uma única parte.
  • Equilíbrio de Nash: quando todas as partes usam sua jogada dominante. Em equilíbrio, qualquer outra estratégia trará resultados piores que os da jogada dominante (mesmo que não sejam resultados ruins, não serão melhores).
  • Ótimo de pareto: o melhor resultado para ambas as partes. Desse modo, as partes abrem mão da sua jogada dominante para atingir aquile resultado que seja mais igualitário e vantajoso para todos.
  • Iteração: a repetição de um jogo faz com que as partes consigam prever a próxima ação do outro, por isso elas tendem a mudar suas próprias ações, o que altera o resultado.

Agora que conhecemos esses termos, vamos aos modelos de jogos?

Dilema do prisioneiro

Em primeiro lugar, vamos falar do modelo de jogo mais famoso: o Dilema do Prisioneiro.

Nesse jogo, dois parceiros de crime (A e B) são interrogados separadamente. Com isso, eles podem confessar o crime ou manter o silêncio. No entanto, o que confessar primeiro ganha uma “delação premiada”, e pega menos tempo de pena por ajudar a justiça.

Sendo assim, a estratégia dominante de A e B neste jogo é confessar.

Porém, se os dois confessam, eles ainda pegam tempo médio de cadeia, pois cometeram um crime.

Dilema do Prisioneiro: o que é? | Teoria dos Jogos

Por isso, existe uma segunda alternativa: os dois mantém o silêncio.

Com isso, a justiça não saberá exatamente o que aconteceu, e não pode incriminá-los corretamente. Desse modo, o tempo de pena para ambos reduz.

Essa opção é o ótimo de pareto. E mudá-la fará com que uma parte não receba o melhor resultado possível.

Dessa forma, o Dilema do Prisioneiro é um jogo que tem como melhor saída a cooperação mútua. Por esse motivo, usamos esse modelo para entender muitas situações.

Sendo assim:

  • Jogada dominante: não cooperar
  • Equilíbrio de Nash: nenhum dos dois coopera
  • Ótimo de pareto: todos cooperam

Jogo da Galinha

Esse jogo também é um dos mais famosos na Teoria dos Jogos. O nome faz referência à palavra “chicken” em inglês, que significa “galinha” e “covarde”.

Jogo da Galinha

Desse modo, o modelo segue a seguinte forma: dois homens estão disputando uma corrida de carros. Porém, eles estão em uma rua estreita e cada um vem de uma direção.

Em algum momento, caso ninguém desvie, os carros vão bater e os dois homens perderão a vida. Porém, aquele que desviar seu carro primeiro, será considerado o covarde, e perderá o jogo.

Ganha, então, quem continuar e não for o covarde. Porém, a melhor saída ainda é que ambos desviem, ou apenas um desvie. A pessoa perderá o jogo, mas manterá sua vida e seu carro.

Desse modo:

  • Jogada dominante: não existe
  • Equilíbrio de Nash: desviar ou continuar
  • Ótimo de pareto: os dois desviam, um desvia e outro continua

Por que a Teoria dos Jogos importa tanto para a economia?

Antes de mais nada, precisamos lembrar que as Ciências Econômicas são um campo de decisões estratégicas.

Por isso, diferentes atores estão sempre interagindo, buscando os melhores caminhos para lidar com um problema.

Ainda mais, não apenas a Economia, mas as Relações Internacionais também exigem decisões racionais, que busquem o melhor resultado possível.

Mas, em vez de falar tanto sobre isso, que tal alguns exemplos de como usamos esses modelos para interpretar a vida real? Veja só:

Guerra Comercial entre EUA e China em 2019

Durante 2019, o mundo sofreu os efeitos da Guerra Comercial entre China e Estados Unidos. Ambos países constantemente aumentavam e diminuíam tarifas de importação.

Tudo isso tinha um objetivo: atrapalhar a economia e as exportações do outro lado. Você pode ler mais sobre isso em nosso texto, clicando no botão abaixo!

Sendo assim, eles poderiam fazer um acordo, e parar de aumentar as tarifas de importação. Com isso, as exportações dos dois llados continuariam normais.

Porém, se apenas a China cumprisse o acordo e os EUA continuassem aumentando tarifas, a China perderia exportações, e seria prejudicada.

Da mesma forma, se nenhum deles abaixassem tarifas, o equilíbrio seria uma eterna troca de ataques entre as partes, o que prejudica suas economias.

Por outro lado… Se os dois países fizessem valer o acordo, cooperando, suas exportações e economias continuariam bem. Nesse caso, a cooperação mútua é o ótimo de pareto.

Desse modo, nesse problema da vida real, é possível encontrar os mesmos padrões do Dilema do Prisioneiro.

Escalada Nuclear durante a Guerra fria

Se você gosta de estudar história, deve se lembrar da escalada de tensões entre os EUA e a URSS durante a Guerra Fria.

Mas se você não gosta muito, eu te lembro:

Durante o Século XX, o mundo viveu períodos de tensão após a Segunda Guerra Mundial. EUA e URSS disputavam o poder militar e científico. Com isso, a ameaça de armas nucleares era algo muito presente no dia a dia.

Chamamos de “escalada”, pois a competição militar entre os países aumentava cada vez mais.

Dessa forma, se os EUA parassem de aumentar seu arsenal, eles perderiam a disputa, e a URSS sairia como vitoriosa. Da mesma forma, se a URSS desistisse da briga, seria vista como covarde e incapaz, e os EUA triunfariam.

123_discochicken.gif (464×260) | Chicken dance gif, Gif, Cool gifs

A escalada nuclear durante a Guerra Fria foi um típico Jogo da Galinha (ou Jogo do Covarde, se você preferir). Aquele que desistisse da tensão, perderia.

O MERCADO

Muitos estudiosos de Economia e Teoria dos Jogos consideram o livre mercado um Equilíbrio de Nash.

Isso, porque no mercado as partes agem individualmente. Cada jogador quer aumentar seus lucros. Desse modo, escolherá sua própria jogada dominante.

Políticas públicas

As políticas públicas devem ser políticas que atendam a maior parte da população.

Com isso, ao formular uma política econômica, por exemplo, os tomadores de decisão devem se atentar ao ótimo de pareto: qual é a decisão a ser tomada que vai favorecer a maior parte de jogadores?

Sendo assim, conhecer a situação do país e quais estratégias podem atingir um melhor resultado para todos é sempre essencial.

Por isso, interpretar situações reais por meio da Teoria dos Jogos pode nos ajudar a encontrar uma jogada dominante. Ainda mais, encontrar o ótimo de pareto, que deixe todos os envolvidos satisfeitos.

E aí, entendeu por que a Teoria dos Jogos é muito importante para a economia e para sua vida? Mande esse post para seus amigos e comente sua opinião abaixo!

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