O que é o Risco-país e qual sua importância para a economia?

Você com certeza já ouviu falar do Risco-país nas notícias. Mas você sabe o que é esse indicador e como ele funciona? Ainda mais, qual sua importância para a economia?

Hoje, nosso texto te explica tudo sobre essa métrica, como ela é feita e como afeta nosso dia-a-dia financeiro!

O que é o Risco-país?

Em primeiro lugar, antes de falar de sua relevância para a economia, precisamos conversar sobre o que é o Risco-país.

Desse modo, podemos firmar que o Risco-país é um indicador econômico. Ainda mais, como o próprio nome já indica, é uma métrica que serve para caracterizar o risco econômico de um país.

Em outras palavras, ele nos diz o quão instável uma economia é, e o quão arriscado é fazer negócios, investir e operar dentro dessa economia.

O QUE É O RISCO-PAÍS E QUAL SUA IMPORTÂNCIA PARA A ECONOMIA? | Boletim Econômico

Sendo assim, investidores de todo o mundo costumam acompanhar com atenção esse número. Dessa forma, eles sabem qual país é mais confiável para alocarem suas finanças.

O que esse indicador mede?

Vários fatores são relevantes quando falamos de Risco-país. Alguns levados em conta para o indicador são:

  • Situação fiscal do país;
  • Capacidade produtiva da economia;
  • Capacidade do país de quitar suas dívidas
  • Estabilidade política.

Desse modo, a situação fiscal do país mede o nível de gastos de governo sendo realizados. Países que gastam mais que podem perdem pontos no indicador, por exemplo.

Já a capacidade produtiva do país é uma base relevante. Essa conta dirá aos investidores o quanto eles podem confiar na geração de empregos, pagamento de salários, aumento de renda nacional (PIB), entre outros.

Por outro lado, a capacidade do país de quitar suas dívidas nos diz como esse país honra seus compromissos. Afinal, ninguém quer comprar títulos de um Estado que não paga suas contas, não é mesmo?

Risco-país | Boletim Econômico

E é sempre importante lembrar que títulos da dívida pública são compráveis e fonte de investimento para muitas pessoas. Se um país não é confiável e não quita suas dívidas, você não tem segurança de que ele irá lhe pagar no futuro por aquele investimento.

Ainda mais, a estabilidade política também é muito importante! Isso, porque um país que vive em conflitos internos, em algum momento, deixará isso refletir em sua economia.

Pense bem: se o Governo Federal, os governos estaduais, o Congresso e o judiciário não entram em consenso, como serão aprovados novos projetos para que a economia cresça?

Dessa forma, a instabilidade política – e social – é um dos primeiros sinais de que a economia sofrerá duros golpes.

Como é feita a conta do indicador?

A conta do Risco-país leva em consideração 3 métodos de base e todos eles são usados para as conclusões. São eles: CDS, EMBI+, Rating Soberano.

CDS

Em primeiro lugar, falaremos do CDS. O “Credit Default Swap” (Permuta de Inadimplência de Crédito) é, basicamente, um seguro.

Desse modo, o CDS é um seguro para investidores, que os protege de possíveis golpes e calotes da dívida pública. Em todos os países que trabalham com investimentos globais, esses seguros são oferecidos para as pessoas interessadas em investir.

Sendo assim, se um país for um mau pagador de dívidas (ou seja, o risco de calotes for alto), o CDS será mais caro aos investidores. O preço desses seguros, então, dá uma boa base para medirmos o Risco-país. Portanto, quanto mais caro o CDS, maior o Risco-país, e pior para aquela economia.

EMBI+

Ainda mais, temos o “Emerging Markets Bond Index Plus” (Índice de Títulos de Mercados Emergentes). Essa métrica é calculada pelo banco dos EUA J.P. Morgan Chase, um dos maiores e mais confiáveis do mundo.

Embora não seja a única, essa métrica é a mais utilizada para medir o Risco-país de economias emergentes (em desenvolvimento, como o Brasil). Desse modo, investidores que querem sair de países ricos, consultam esses dados.

No entanto, é um indicador confuso. Isso, porque ele não apenas mede os dados dos países: ele compara esses dados. Ainda mais, a base da comparação é sempre os Estados Unidos. Como isso acontece? veja só:

O J. P. Morgan Chase observa quanto % de juros o país está pagando pelos seus títulos-públicos. Em seguida, compara com a % dos EUA. Se o país paga mais ou menos o mesmo tanto, logo, investir nele não faz sentido, pois seria mais benéfico investir nos EUA. Por isso, seu risco será mais alto.

Rating Soberano

Se você já leu nosso texto sobre a crise de 2008, já sabe o que são as agências de rating. Mas, só para relembrar: são agências especializadas em dar notas a empresas, mercados e países que podem ser alvos de investimento.

Desse modo, empresas como a Standard & Poor’s (uma das protagonistas da crise subprime) distribuem notas para os países. Essas notas são baseadas em alguns fatores econômicos que servem como “segurança” para os investidores. São eles:

  • Quantidade de reservas internacionais (dólares) do Banco Central;
  • Solidez econômica;
  • Estabilidade política (olha ela aí de novo!).

Sendo assim, quanto mais estável uma economia é, melhor avaliada ela será. Ainda mais, o Balanço de Pagamentos é muito importante para a métrica. Isso, porque países que têm mais superávits em seus BPs possuem mais reservas internacionais (dólares) em caixa, que podem servir para salvar a economia no futuro.

Tipos de notas

As agências dividem as notas em categorias. Sendo assim, países com pouco risco e muita segurança recebem a nota AAA, a melhor entre todas. Poucos países possuem essa nota, entre eles, Noruega e Canadá.

Já países sem muita segurança, que podem não pagar suas dívidas por problemas econômicos, recebem a pior nota “normal”, CCC. A Argentina, atualmente, faz parte desse grupo.

Uma nota “extra” e “anormal” é a nota D, a pior de todas. Ela é atribuída aos países que já entraram em moratória, ou seja, já declararam que não possuem capacidade de quitar suas dívidas, e deram calote em seus investidores.

O Brasil atualmente possui notas que variam entre BBB- e BB- nas agências. Desse modo, o Brasil está na classe de “investimento de risco”.

Risco-país

Como o Risco-país afeta as economias?

Se você é um ávido leitor do Boletim Econômico, já sabe como o meio internacional é importante para a economia nacional. Isso ocorre, pois, em um mundo cada vez mais globalizado, onde os países dependem uns dos outros, não receber investimentos exteriores pode ser péssimo para as economias.

Quando falamos de investimentos não levamos em conta apenas a Bolsa de Valores e seus acionistas: pensamos também em infraestrutura, indústria, fábricas, empregos, geração de renda, aumento de consumo, baixa inflação.

Precisamos lembrar, sempre, que a economia é uma cadeia de processos e reações. Se não investimos em produção, não geramos empregos, e se não há emprego, não há renda. Se não há renda… Você percebe onde quero chegar?

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Pense em quantas empresas multinacionais que atuam no Brasil você conhece. Pense nos carros de marcas estrangeiras, alimentos, produtos tecnológicos e do nosso dia-a-dia feitos no Brasil, por empresas lá de fora.

Você acha que, se nosso Risco-país estiver alto, esses empresários investirão em nosso país? A resposta mais provável é: não. Uma economia arriscada e insegura não é atrativa.

Por isso, é muito importante ficar de olho em como a economia está indo. Ainda mais, nos fatores que interferem nela. Corrupção, instabilidade política (como brigas entre políticos, governos, congressistas e juristas) e instabilidade social são fatores perigosos para esse indicador.

Hoje em dia, outras áreas são levadas em consideração, também, como o meio-ambiente. Por isso precisamos ficar atentos aos debates internacionais e quais os novos padrões exigidos pelos investidores.

E você, o que pensa sobre esse assunto? Deixe sua opinião nos comentários!

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