Mercado de trabalho japonês: quais as diferenças para o Brasil?

A educação é a base para um bom emprego. Essa não é uma afirmação controversa, nem aqui nem no Japão, mas o país do sol nascente tem algumas curiosidades e diferenças com nosso país que são interessantes de serem vistas.

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Vem comigo que eu te mostro essas diferenças e como elas impactam a vida e economia do Japão e do Brasil.

Como é o ensino no Japão?

Começando por uma curiosidade. O ensino médio é opcional. O currículo básico cobre apenas até o fundamental e os três anos finais de ensino são opcionais.

Mas entre a teoria e prática existe um mundo enorme, sabemos bem disso. Por isso, mais de 94% opta por fazer o ensino médio.

Porém essa escolha não é uma que o aluno deve fazer despreocupado. A escolha de uma boa escola não define apenas o seu ensino, define também qual sua universidade.

Para ser aceito no ensino superior, todo seu histórico escolar passa por uma análise e sua opção de escola pode ser a diferença entre ser aceito ou não, notas podem se tornar secundárias ao lugar em que se estudou.

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E a sua escolha de universidade também carrega um peso para o seu emprego. Na verdade, carrega muito peso.

A cultura do trabalho japonês

Em várias empresas existem listas mais ou menos formais de universidades pré-aprovadas para sequer cogitar um funcionário.

Não esteja em uma delas e veja seu currículo ser ignorado sem muita cerimônia.

Outras preferem escolher os seus funcionários enquanto ainda estão cursando sua faculdade. A cultura do estagiário que é promovido a funcionário carrega um peso maior.

Isso, pois a cultura da empresa como uma extensão da sua família é algo forte na terra das cerejeiras. Uma vez dentro de uma empresa espera-se que você não troque de emprego, ela se torna então uma parte da sua família.

Até mesmo os filhos são incentivados a entrar para a mesma empresa.

Em uma pequena nota, alguns estudiosos dizem que é essa cultura estática que vem agravando a estagnação da economia japonesa, mas isso é um tema para outro momento.

As denúncias de discriminação de gênero

Portanto, vendo a importância para a universidade na vida profissional da pessoa no Japão, dá pra ver a gravidade das denúncias recentes de discriminação de gênero.

Sendo assim, a diferença de notas mínimas atingiu patamares absurdo, onde a maior nota masculina não supera a nota de corte feminina, levantando então protestos que a universidade estava tentando evitar que mais mulheres tivessem acesso ao ensino superior.

E numa cultura de poucas trocas de emprego e onde a escolha universitária é vital, discriminar a entrada de um gênero na universidade significa lhe tirar o direito de se realizar plenamente no mercado de trabalho.

As diferenças do mercado de trabalho japonês para o brasileiro

Embora eu já tenha dito diversas vezes sobre a importância da universidade, eu ainda não apresentei dados. Sendo assim, na última pesquisa divulgada pelo governo do Japão, 96% conseguem emprego na saída da universidade no mercado de trabalho japonês.

Impressionante, não? Mas fica ainda mais chocante. Esse número representa uma queda de 2% em comparação aos anos anteriores.

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E no Brasil?

Bem, por aqui o número é apenas um pouco mais baixo… 60% dos alunos universitários, em 2019, ou seja, bem antes da pandemia, saíam do curso empregados.

O que isso significa para o Brasil?

Isso tudo implica em uma subutilização da massa educada brasileira.

Enquanto alguns vão embora do país, outros passam anos buscando emprego ou indo para áreas diferentes daquela em que se formaram.

E isso, obviamente, tem efeitos extremamente negativos na economia brasileira. Pessoas capacitadas que não encontram meios de exercer o que aprenderam, e o que amam.

No longo prazo, isso implica em uma inflação nos requerimentos mínimos para se integrar a força de trabalho, já que ela é composta por inúmeros trabalhadores subutilizados, e em uma diminuição da eficiência da distribuição da força de trabalho.

Temos pessoas muito inteligentes e qualificadas demais para o trabalho que exercem e com salários baixos. O que também leva a uma fuga de cérebros.

Com uma oferta de um salário mais digno fora do país, o profissional especializado vai embora, tirando da força de trabalho colaborador para o avanço científico e econômico brasileiro.

Por fim, o que você acha do mercado de trabalho japonês em comparação ao mercado brasileiro? Deixe sua opinião nos comentários!

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