O Brasil pode sofrer sanções comerciais por causa da Amazônia?

Você sabe como anda a relação EUA x Brasil na questão ambiental? Acha que o Brasil pode sofrer sanções comerciais por causa disso? Vem comigo que hoje você vai descobrir tudo sobre o assunto!

O DEMOCRATA JOE BIDEN

Debate entre Joe Biden e Donald Trump em 2020

Desde antes, mesmo enquanto candidato à presidência, Biden já anunciava suas medidas quanto à Amazônia. Biden propôs que países de todo mundo se reunissem para fornecer 20 bilhões de dólares para a preservação da Amazônia.

Além disso, disse que o Brasil enfrentará “consequências comerciais significativas” caso o país não pare a destruição da floresta. Biden ainda disse que a floresta tropical do Brasil está sendo devastada e destruída.

Ainda mais, Bolsonaro disse na época em um discurso da ONU que “interesses escusos” movem uma “campanha brutal de desinformação” sobre o meio ambiente brasileiro para prejudicar seu governo.

SANÇÕES COMERCIAIS PARA O BRASIL?

Além de sofrer sanções comerciais diretas dos EUA, que são um dos nossos principais parceiros comerciais, podemos ainda perder de vez o acordo entre Mercosul e União Europeia.

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Ainda mais, esse ano, diversas ONGs internacionais e acadêmicos enviaram à Casa Branca um documento. Esse documento pedia que Biden interrompesse as negociações comerciais com o Brasil e retirasse o apoio dos EUA à entrada do país na OCDE caso Bolsonaro não cumpra os pactos ambientais.

Do mesmo modo, empresários brasileiros pressionam o governo desde 2020 por mudanças de postura. Uma coalizão que reúne mais de 280 companhias do agronegócio e setor financeiro enviaram uma carta ao Governo Federal, preocupados com a imagem do Brasil no exterior.

Todavia, os EUA ainda podem adotar, como a União Europeia e Reino Unido já cogitam, leis para punir empresas que importem produtos ligados ao desmatamento e bancos que os financiem.

QUAL A POSTURA ATUAL DOS EUA?

As primeiras ações do governo Biden não envolvem sanções comerciais ao Brasil. Os assuntos relacionados à proteção da Amazônia serão tratados em primeiro lugar com diálogo, segundo o Governo Americano.

Apesar disso, mesmo diante de pressão da ala mais progressista do partido Democrata e de ativistas que pedem medidas severas contra a atual gestão de Bolsonaro, a ordem na Casa Branca é apostar em uma parceria para a preservação da floresta, antes de aplicar qualquer sanção ao Brasil.

Nesse sentido, Biden deseja que organizações americanas, criem um programa para a proteção da Amazônia, em parceria com o governo brasileiro e outros países interessados. Biden quer tratar esse problema em escala global, e não só como uma relação bilateral.

Todavia, o governo Biden não descarta medidas mais severas no futuro. Em primeiro lugar, quer tentar construir um plano de proteção efetivo e sem desgastes para ambos os lados.

Contudo, essas ações não significam que não haverá cobranças. “Uma das ideias centrais é que haja um fundo de financiamento em troca do comprometimento com metas de preservação da Amazônia, disse John Kerry, o secretario de Biden nas relações climáticas.

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John Kerry

COMO O BRASIL PODE SAIR DESSA?

Segundo o cientista Carlos Nobre, o Brasil ainda pode se salvar se zerarmos o desmatamento e restaurarmos grandes áreas, gerando chuvas e diminuindo temperaturas. Mas isso tem que acontecer agora.

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Carlos Nobre

Além disso, ele ainda ressalta que precisamos de um novo modelo econômico para a Amazônia. Esse, focado em construir sistemas agroflorestais, que segundo ele “são florestas com uma densidade maior de espécies com valor econômico”.

Todavia, para Nobre, zerar o desmatamento e promover a restauração de áreas devem andar juntos. De acordo com ele, há áreas degradadas e de baixa produtividade sem valor econômico.

Dessa forma, existem estudos que indicam que podemos aumentar 35% da produção agropecuária reduzindo em 25% as áreas de pastagens. Em outras palavras, aumentar a produtividade e ainda preservar a floresta.

Leia também: O QUE É DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL?

O BRASIL PODE ESCAPAR DAS SANÇÕES COMERCIAIS?

A resposta curta é, sim e não. Isso vai depender da quantidade de pressão feita sob Bolsonaro, principalmente na questão de continuar com Ricardo Salles como seu ministro do meio ambiente.

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Ainda mais, indo na contramão do que prometeu, após discursar na Cúpula de Líderes sobre o Clima, o presidente vetou do orçamento de 2021 para o Ministério do Meio Ambiente um total de 240 milhões de reais.

Por exemplo, 19,4 milhões de reais do Ibama, sendo que 11,6 milhões seriam destinados para atividades de controle e fiscalização ambiental. E mais 6 milhões para a prevenção e controle de incêndios florestais.

Além disso, o Governo Federal também retirou 7 milhões do ICMBio, outro órgão fiscal, que seriam destinados à criação, gestão e implementação de unidades de conservação. Também cortou 4,5 milhões do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Você pode ler mais sobre a cúpula do clima clicando no botão abaixo:

Ou seja, caso continue nesse rumo, o Brasil pode sim sofrer algum tipo de sanção comercial, o que impactaria diretamente nossa balança comercial e investimentos estrangeiros. Já que, EUA e União Europeia, compõem grande parte de nossas exportações.

E você, o que acha que pode acontecer? Deixe sua opinião nos comentários e envie o texto para seus amigos!

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2 comments
  1. Adorei! O Brasil precisa urgentemente rever suas políticas ambientais, antes que o tempo se esgote e essa matéria prova isso!

    1. Que bom que gostou do texto Mariana! Obrigado pelo feedback. Realmente, o tempo está acabando e precisamos de medidas urgentes, para que não seja irreversível nosso quadro.

      Rodrigo Maicon — Redator do BE

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