Nova onda de conflitos Israel x Palestina: o que está acontecendo?

A tensão entre Israel e Palestina vem se intensificando cada vez mais nos últimos dias. Ela atingiu seu ponto mais alto em 10/05, e a região vem sofrendo bombardeios que já deixaram 197 mortos e milhares de feridos.

Hoje, nós vamos explicar o contexto recente que levou a esse confronto.

Despejo de famílias palestinas em Israel

Em primeiro lugar, o fato que trouxe o conflito a tona de novo foi a possível expulsão de famílias palestinas de Sheikh Jarrah, um bairro na Jerusalém Oriental. Seriam 40 pessoas afetadas, inclusive 10 crianças.

Isso aconteceu porque um grupo de colonos judeus está reivindicando as terras que as famílias ocupavam. O processo está sendo julgado em tribunais israelenses. Por isso, há a chance de que as famílias palestinas precisem sair de lá, dependendo do resultado do julgamento.

A separação de Jerusalém em duas partes vem desde o fim da primeira guerra árabe-israelense, em 1948. Por isso, a parte oriental ficou sob controle da Jordânia até 1967, quando Israel a ocupou novamente na Guerra dos Seis Dias.

Ainda mais, a parte oriental é onde se localiza a ‘cidade antiga’ de Jerusalém, que contém locais religiosos sagrados para muçulmanos, judeus e cristãos. O bairro de Sheikh Jarrah fica perto dessa área, e é um dos principais bairros palestinos da cidade.

Diante de tudo isso, Jeremy Bowen, correspondente da BBC no Oriente Médio, diz que “Sheikh Jarrah é um símbolo, para ambos os lados, do objetivo estratégico de Israel de tornar Jerusalém mais judaica“.

Mulher palestina homem judeu discutem no bairro Sheikh Jarrah
Uma mulher palestina e um homem israelense discutem no bairro de Sheikh Jarrah
  • O BE tem um post sobre o acordo de 2020 entre Israel e Emirados Árabes Unidos sobre a Cisjordânia, que você pode ler aqui.

A violência se agrava

Durante o Ramadã, Israel passou a limitar o acesso a certas partes da cidade. Em 07/05, mais de 70.000 pessoas se reuniram em frente ao Domo da Rocha para as orações finais do dia.

Logo depois, os palestinos começaram a protestar, com bandeiras da Palestina e do Hamas, um grupo islamista palestino que conta com um braço armado. Em seguida, os protestos foram reprimidos pela polícia de Israel. Centenas de pessoas foram feridas.

No dia seguinte, 08/05, os palestinos fizeram novos protestos contra a violência policial, e contra os possíveis despejos em Sheikh Jarrah. Assim como os do dia anterior, eles foram alvo de repressão, e deixaram pelo menos 100 feridos.

Israeli mounted police deploy to disperse Palestinian protesters outside the Damascus Gate in Jerusalem's Old City on May 8, 2021. (EMMANUEL DUNAND / AFP)
Polícia montada de Israel nos protestos na Cidade Antiga em 08/05.

Assim, no dia 10/05, o Hamas disparou foguetes em direção a Jerusalém. A Força de Defesa de Israel (IDF) disse que o grupo disparou seis foguetes na cidade. Só um deles atingiu o alvo, danificando uma casa na periferia oeste de Jerusalém.

Em seguida, no mesmo dia, a IDF relatou que Gaza teria feito 150 outros disparos dirigidos a Israel.

Como resultado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que teriam “ultrapassado os limites”, e que responderia com “grande força”.

A resposta de Israel

Logo depois, no dia 11/05, um bombardeio de Israel derrubou um prédio residencial na Faixa de Gaza. Israel alegou que era um local de liderança política do Hamas.

Fumaça na Faixa de Gaza após destruição de prédio de 13 andares nesta terça (11); palestinos acusam Israel de destruir o edifício — Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Faixa de Gaza após os ataques de Israel.

O grupo respondeu com novos ataques, dizendo que eram atos de “represália … aos bombardeios contra edifícios onde moram civis“. Assim, o Hamas disparou novos foguetes que atingiram os arredores de Tel Aviv e a cidade de Beerseva.

Desde então, a campanha de Israel na Faixa de Gaza tem sido intensiva. Em duas semanas, Israel atingiu 820 alvos em Gaza.

Dos ataques feitos pelo Hamas, a grande maioria foi parada antes de atingir um alvo. Mas, pelo contrário, os civis ficam muito expostos em Gaza, e não podem recorrer a abrigos quando recebem o alerta de emergência.

Trégua

Em 20/05, Netanyahu disse que seu gabinete de segurança votou por uma trégua “mútua e incondicional” com Gaza, conforme a proposta do Egito. Mas pouco tempo após esse anúncio, antes de entrar em vigor, os dois lados já trocavam ataques de novo.

O Hamas se diz disposto a aderir ao cessar-fogo, sob duas condições: que Israel retire sua força policial da mesquita de Al-Asqa; e que os palestinos em Sheikh Jarrah não sejam expulsos.

Apesar disso, Israel diz que “parar prematuramente é dar ao Hamas a vitória que ele deseja”. Mas a pressão internacional para que o país parasse os ataques vinha aumentando cada vez mais.

Assim, ao fim de 11 dias de confronto, a trégua foi firmada. Esse conflito deixou 232 palestinos mortos, inclusive 65 crianças, e 12 israelenses mortos, incluindo duas crianças.

O Egito afirmou que irá enviar delegações para acompanhar o acordo em Israel, Gaza e na Cisjordânia. Por outro lado, o Hamas afirma que vai cumprir o acordo enquanto Israel fizer o mesmo.

Animation Illustration GIF by Julie Winegard

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