Madero perto da falência, o que está acontecendo?

Os problemas vindos da pandemia de COVID-19 ainda estão longe de acabar. Nesse meio tempo o grupo Madero divulgou seu balanço para o primeiro trimestre de 2021 e as notícias não são boas para eles.

Segundo o documento existem “dúvidas substanciais sobre a capacidade da companhia de continuar em funcionamento dentro de um ano.“. Isso sugere que o Madero está perto da falência?

Contudo, em meio a esses dados a empresa planeja um IPO. Vamos entender melhor tudo isso.

Grupo Madero

Família Durski

Em primeiro lugar o nome Madero não é um acaso, mas sim pelo fato de se tratar de uma empresa que pertence a uma família de madeireiros, sendo uma das diversas “oligarquias de interior” que existem no estado do Paraná.

Por exemplo, em Prudentópolis no interior do estado, o nome Durski está escrito em escolas e avenidas.

Júnior inclusive foi eleito vereador devido a fama e influência da sua família, porém, ele renunciou cerca de 2 anos depois de tomar posse e seguiu para Rondônia onde passou negociar madeira e também de garimpo.

Assim, antes de entrar no ramo alimentar, Durski negociava madeira na Amazônia, atuando como uma espécie de trader, onde ele comprava madeira na Amazônia e a revendia para o resto mundo.

Júnior Durski

Por vezes esse histórico pregresso do Júnior pode ser notado, em especial nas unidades mais antigas do grupo, onde as mesas e cadeiras são feitas de madeira rústica.

Melhor do mundo?

Além disso, o Madero sempre investiu em marketing e devido a isso sempre aderiu ao slogan “O Madero faz o melhor sanduíche do mundo”.

Slogan do grupo Madero

Sobretudo em 2018 e 2019, antes da pandemia, eles alteraram a posição do slogan original para: “O hambúrguer do Madero faz o mundo melhor”.

Isso gerou discussão e até uma matéria na Folha de São Paulo que estampa “O Madero faz o pior hambúrguer do mundo.”

Dessa forma, com foco em detalhes técnicos, a matéria prova que a comida do Madero não vale o preço cobrado por Durski.

Segundo o autor do artigo, o colunista Marcos Nogueira:

“Ao optar por um blend de carne e gordura na proporção 85/15, Durski abriu mão totalmente do sabor e do prazer. Qualquer manual de chapeiro seboso diz que um bom hambúrguer deve ter no mínimo 20% de gordura. Muito mais saudável do que a média do mercado? Não me parece que esses 5% sejam decisivos no que tange ao entupimento coronariano.”

O autor continua:

“Segundo: o pão crocante joga contra. Hambúrguer é basicamente carne dilacerada, ele se rompe facilmente, é uma comida macia. Logo, um pão macio faz muito mais sentido. A textura de um pão crocante faz a carne moída desaparecer na paleta sensorial do sanduíche.”

Pandemia

Em primeiro lugar é bom ressaltar a trajetória do Júnior Durski durante a pandemia é no mínimo lamentável, sendo ele um dos mais aguerridos apoiadores do governo Bolsonaro e de suas políticas.

Nesse sentido, em março de 2020, ainda nos momentos iniciais do surto da Covid-19 , o empresário se manifestou minimizando a gravidade do vírus.

Segundo Durski, o Estado não deveria parar a economia com o objetivo de frear a disseminação da doença porque “5 ou 7 mil pessoas vão morrer”. Confira:

Declaração do Júnior Durski no início da Pandemia.

Além disso, no vídeo o empresário garante que possui capital para manter a robustez de sua estrutura, e que haveria demissão de funcionários.

Contudo, dois dias após sua declaração o grupo demitiu 600 pessoas, e sua palavra perdeu ainda mais confiança.

Cenário atual

Ao passo de que, Durski afirmou em uma entrevista dada à rádio Bandnews FM, que sua receita despencou por causa da pandemia do novo coronavírus.

Além disso, ressaltou o peso da reinvenção no ramo dos restaurantes no pós pandemia, devido ao volume de clientes, que antes recebia 400 pessoas por dia, atualmente serve apenas 30 clientes.

Crise x IPO

Inicialmente, os dados financeiros do grupo publicadas no dia 24 de maio de 2021 mostram que, é possível não haver caixa para pagar o total das dívidas de curto prazo.

Assim, as auditorias realizadas indicam ‘incerteza relevante” e “significativa” em relação a continuidade da operação.

Contudo, apesar disso, a empresa se mantém focada em realizar um IPO (oferta inicial de ações) até o fim do ano.

Dessa forma, com um IPO previsto para 2020, teve de suspender os planos por causa da pandemia, e passo a encarar uma abrupta queda de receita, e também viu sócios como o Luciano Huck deixando o negócio por um valor simbólico.


Restaurante Madero

Por fim o IPO ainda estaria de pé, com a empresa contratando os bancos que estariam à frente da emissão das ações e que iram conduzir o negócio à Bolsa paulista.

Então o que você acha dessa estratégia? Estariam levantando fundos para reinvestir ou para pagar dívidas? Conta pra gente nos comentários e até mais!

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