Eleições do Peru: o que está acontecendo com Fujimori?

A apuração de votos das eleições no Peru já está concluída. A contagem do segundo turno terminou mês passado, em 15/06. Mas, mesmo assim, o Peru ainda não tem um presidente definido.

Isso porque a candidata da oposição, Keiko Fujimori, disputou esse resultado. Logo depois que divulgou-se o resultado, ela acusou Castillo de fraude na eleição, e enviou uma série de pedidos de revisão ao tribunal eleitoral peruano.

Agora, nessa semana (05/08), apareceram indícios de que um dos seus assessores possa ter tentado subornar membros do tribunal eleitoral do país para sair na frente, na eleição. Depois de o Peru negar o pedido dela de uma revisão internacional da votação, Fujimori está sendo investigada, e pode acabar sendo presa.

Quer entender melhor as acusações, e como isso tudo aconteceu?

Então, continua com a gente.

QUAL A SITUAÇÃO DA ELEIÇÃO?

Em primeiro lugar, o resultado das eleições no Peru ainda não está oficializado. Isso porque o tribunal precisa resolver todas as questões em aberto antes de declarar o vencedor. Isso quer dizer que ele precisa passar por todos os pedidos de Fujimori.

A maioria deles foi feita sem apresentar provas conclusivas. Vários também já foram descartados por terem sido feitos fora do prazo.

No total, ela pediu a contestação de 802 atas de votação. Pela contagem, o candidato da esquerda, Pedro Castillo, foi eleito com uma diferença de 44 mil votos. Isso de mais de 20 milhões de eleitores. Ou seja, a diferença foi de poucos votos.

Por isso, Fujimori começou a disputar o resultado, e denunciou fraude nas eleições.

CONTESTAÇÃO DA CONTAGEM NAS URNAS

Assim, ela pediu recontagem de votos, e chegou a chamar por uma auditoria internacional para revisar o resultado das eleições no Peru.

Atualmente, ainda restam cerca de 30 pedidos em aberto, que estão sendo analisados pelo Júri Nacional Eleitoral (JNE). Mas o JNE já estabeleceu o prazo para terminar o processo no final desse mês, em 28/07. Assim, o novo presidente já deve tomar posse nessa data.

Mas mesmo sem o anúncio oficial da vitória, Castillo já vem atuando como presidente e montando o seu governo. Se a sua posse atrasar ainda mais, a presidência vai precisar ser assumida de forma provisória.

O presidente atual, Francisco Sagasti, não pode continuar no cargo, porque o tempo do seu mandato já acabou. Assim, o próximo na sucessão é o chefe do Congresso. Só que esse posto está vago, porque quem o ocupava era o próprio Sagasti, que assumiu o cargo de presidente.

Portanto, caso o prazo do JNE estende-se de novo, a instabilidade política no Peru pode aumentar ainda mais.

  • Além disso, a história política recente do Peru já mostra mais crises. Você pode ler mais sobre o impeachment de Martín Vizcarra, em 2020, clicando aqui.

Com a alegação de fraude, Fujimori também pediu a supervisão de um órgão internacional, para garantir legitimidade ao processo.

Em resposta, o ministro da Justiça, Eduardo Vega, disse que o governo não pode interferir enquanto o júri eleitoral analisa as suas demandas. Isso seria uma prática ilegal.

FUJIMORI PODE SER PRESA?

Além de tudo isso, mais um elemento entrou nesse jogo. O áudio divulgado pelas mídias na última terça (06/07) é de Vladimiro Montesinos, que foi chefe do departamento de inteligência durante a ditadura militar do Peru. Vale lembrar que, nesse período (1990-2000), o pai de Keiko, Alberto Fujimori, comandava o país.

Montesinos e Fujimori no Serviço Nacional de Inteligência, 1998.

E ainda, o áudio foi divulgado de dentro da prisão.

Montesinos está preso, já que foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e por envolvimento em uma série de massacres, promovidos por um grupo paramilitar que ele comandava.

Enfim, esse áudio foi de uma conversa de Montesinos com outro militar aposentado. Nele, ele fala da possibilidade de suborno a oficiais do JNE para assegurar a vitória de Fujimori.

Para mais, outro áudio mostra Montesinos comentando estratégias políticas com o irmão de Keiko, Kenji Fujimori.

Já existe uma investigação sobre essa acusação de interferência. Mas, até agora, não afastou-se nenhum dos juízes do JNE por causa disso. Além disso, o único juiz do JNE que declarava apoio a Keiko, Luiz Arce, renunciou ao cargo.

Sendo assim, Keiko pode ser implicada nessas investigações. Então, a sua prisão pode ser uma possibilidade no futuro.

Fujimori GIF

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