HAITI, O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO PAÍS NESSE MOMENTO?

Na última quarta-feira (07) o presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi assassinado a tiros em sua residência. Empresário oriundo da classe média, ingressou na política por meio de uma indicação e, em seu mandato, não foi um chefe de Estado popular.

Desse modo, no texto de hoje, o BE irá abordar o cenário no qual o país se encontra, analisando o contexto político – anterior e posterior – do ataque.

Se este assunto te interessa, continue com a gente para descobrir um pouco mais sobre o país mais pobre das Américas.

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A Crise Política do Haiti

A última eleição presidencial do país ocorreu em 2015. Entretanto, nenhum dos candidatos alcançou mais de 50% dos votos. Assim, teria que acontecer o segundo turno.

Nesse sentido, como resultado de várias prorrogações, em 2016 ocorreram novas eleições, as quais foram feitas do zero.

Dessa maneira, foi neste cenário que Jovenel Moïse tomou posse do país, com um mandato de 5 anos.

Para a oposição, o presidente do Haiti deveria deixar o posto no início de 2021. Mas, para os apoiadores do governo, o término de seu mandato seria somente em 2022, visto que sua posse ocorreu em 2017.

Dessa forma, instalou-se uma das mais recentes crises políticas do país. Em outras palavras, a legitimidade de Moïse sempre foi questionada e, por conseguinte, a população realizava constantes protestos contra seu governo.

O presidente, Jovenel Moïse, em uma entrevista ao EL PAÍS, em fevereiro deste ano. haiti

Além disso, o presidente do Haiti concentrava os poderes em suas mãos, pois:

  1. Aposentou três juízes da Primeira Corte;
  2. Suspendeu 2/3 do Senado, toda a Câmara dos Deputados e todos os prefeitos;
  3. E, por fim, não haviam ocorrido as eleições do Legislativo;

Como resultado, desde janeiro de 2020, Moïse governava por meio de decretos. Ainda mais, visto a insatisfação de seus cidadãos, os atentados e os golpes políticos, violentos ou não, sempre estiveram presente no cenário do país.

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Contexto Socioeconômico do Haiti

O território do Haiti era um dos mais prósperos no Período Colonial. Portanto, pode-se afirmar que foi muito explorado – França – e, assim, teve toda sua riqueza retirada do país.

Nesse sentido, quem diria que, após anos de Colonização, um território um dia tão rico seria assombrado por uma pobreza crônica, não é mesmo? Pois bem, nada de novo no fronte, rs.

Ademais, o país também passou por rigorosas ditaduras, com destaque para as de François “Papa Doc” Duvalier (1957-1971) e de filho e sucessor, Jean-Claude Duvalier, o “Baby Doc” (1971-1986).

Assim, a realidade de extrema pobreza do Haiti gera uma instabilidade política de caráter crônico.

O país torna-se desorganizado do ponto de vista econômico, apresentando:

  • Alta inflação;
  • Poucos produtos para exportação;
  • Poucas conexões – é um país isolado e;
  • Grande desigualdade social.

Nesse sentido, vale acrescentar que tamanha instabilidade política não favorece a atração de investimentos externos, os quais poderiam resultar em desenvolvimento e em crescimento econômico para o Haiti.

Outro ponto para destaque é a crise de segurança no país. A violência que aflige a população e devasta as cidades é causada por conta de gangues e de suas disputas por “campos de ação”.

Logo, tal desordem gera uma série de atritos, como assassinatos e golpes.

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A ONU e o Haiti

Na década de 1990, por meio das Operações de Paz, a ONU realizou cerca de quatro missões, ou intervenções, no Haiti.

Porém, devido à falta de sucesso, deu-se início à Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), com duração de 13 anos, de 2004 a 2017.

Nesse contexto, a missão chefiada pelo Brasil utilizou de um investimento enorme, tanto de soldados quanto de dinheiro.

Se deseja saber mais sobre o MINUSTAH,

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haiti

Apesar de se ter alcançado a estabilidade durante este período, após a retirada da ONU, o vazio de uma liderança foi preenchido pelas gangues.

A Organização pode ter falhado em planejar o arranjo político do país uma vez que o cenário “normal” retornasse.

O que acontece agora?

De acordo com o primeiro-ministro, Claude Joseph, os integrantes do governo decretaram Estado de Sítio.

A previsão é de que o Conselho de Ministros assuma o controle até a próxima eleição, que será em setembro. Porém, ainda não se pode afirmar com certeza.

Sendo assim, o que se pode confirmar é que elementos como a pobreza e as crises políticas se retroalimentam, o que agravam, cada vez mais, a situação do país.

Ainda mais, o que já era incerto e conturbado, encontra-se ainda pior após o assassinato de seu presidente.

Em suma, a ocorrência deste fato informa a falta de previsibilidade no país, o que aumenta as incertezas políticas e econômicas.

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E então, ficamos por aqui. Além disso, me conte o que você pensa sobre o cenário do Haiti! Envie para os amigos e nos deixe comentários! Obrigada e até a próxima.

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