Entenda a crise migratória da Espanha

Vamos entender a crise migratória da Espanha, onde oito mil imigrantes africanos tentaram chegar a Europa através dos enclaves de Ceuta e Melilla.

Mesmo que você não tenha interesse no cenário mundial, crises migratórias estão longe de ser uma novidade para o mundo.

Então vem com a gente entender um pouco do que está acontecendo ao redor do mundo!

Enclaves de Ceuta e Melilla

Antes de mais nada, é bom nos encontrar geograficamente no conflito. Você sabe onde ficam os enclaves de Ceuta e Melilla, os palcos do conflito?

Enclaves de Ceuta e Melilla

Ao contrário do que se espera, esse conflito migratório não ocorreu na Europa.

Ceuta e Melilla são enclaves, ou seja, são duas regiões além do Mar Mediterrâneo, na África, anexo ao Marrocos.

Ou seja, ambos são territórios que estão sob domínio da Espanha desde asas grandes navegações.

Dessa forma, mesmo na África, Ceuta e Melilla são terras espanholas desde o século XVI, logo, antes da criação dos estados africanos.

Devido a isso, as chances de casos ligados a conflitos com imigrantes nessas regiões é muito mais alta.

Rotas migratórias

Primeiramente vamos dar uma boa olhada no mapa abaixo:

Principais rotas migratórias

De acordo com o mapa acima, existem rotas especiais por onde ocorrem os maiores fluxos de migração rumo a União Europeia:

  • Leste Europeu;
  • Turquia e Itália ao sul;
  • Ceuta e Melilla pela Espanha;
  • Ilhas Canárias.

Dessa forma, vemos que dentro dessas regiões, o indivíduo sai da África e está dentro da União Europeia.

Assim, por Ceuta e Melilla o acesso a Europa pelo Estreito de Gibraltar pode ser feito em uma balsa sem levantar suspeitas, o que nos leva a atual crise migratória na Espanha.

Medidas de contenção

Hoje em dia a Espanha como medida de controle desse acesso, construiu em Ceuta e Melilla um complexo de muros isolando as regiões do resto do continente.

Por outro lado, o Marrocos contribui com essa fiscalização por meio de sua polícia devido a relação amistosa que possui com a Espanha.

Em síntese, é isso que você precisa saber para se localizar, antes de partir para os eventos recentes e ao conflito atual.

Contexto da Crise Migratória

Em primeiro lugar, para entender o atual conflito é preciso saber um pouco sobre o atual cenário político do Marrocos.

Existe um conflito entre o Marrocos e Saara Ocidental, ele surgiu durante a Conferência do Congo, onde os territórios africanos foram divididos entre as potências europeias.

Dessa forma, a Espanha recebeu a região hoje conhecida como Saara Ocidental, até o Marrocos e a Mauritânia disputarem por seu controle, e a segunda em 1979 renunciar a disputa.

Crise Migratória na Espanha
Saara Ocidental e Marrocos

Assim, o governo marroquino não viu bom bons olhos quando Madri ofereceu asilo, a pedido da Argélia, ao líder de estado de Saara Ocidental, Brahim Ghali, para se tratar do COVID-19.

Hoje em dia Saara Ocidental luta por reconhecimento internacional, e isso ganhou força quando, em dezembro de 2020, o então presidente Donald Trump sugeriu apoio.

Para o Marrocos por sua vez, Ghali se trata do líder de um grupo armado contra o governo e sua presença por Madri, poderia dar força a discussão sobre a soberania de Saara Ocidental.

Dessa forma, o país relaxou o controle dessas zonas de fronteira e permitiu que jovens atravessem enclave de Ceuta, como uma tática de pressão do Marrocos.

No final das contas, a Espanha reabriu um antigo processo contra o chefe de estado de Saara Ocidental.

• Veja também: Por que as Universidades Federais estão em crise?

A resposta da Espanha

Assim o ministério do Interior na Espanha negociou com o Marrocos a volta desses migrantes. O governo espanhol enviou 150 agentes da polícia a Ceuta para tentar de alguma forma agilizar o processo.

Ceuta, trata-se de uma pequena uma cidade com cerca de 85.000 espanhóis e pouco mais de 14 km² de extensão, em apenas um dia se viu tomada por cerca de 8.000 marroquinos, um evento inédito em sua história.

O presidente Pedro Sánchez, que estava ausente em uma conferência, retornou de imediato em busca solução para o conflito.

A princípio a Espanha colocou seu exército para conter a chegada de novos imigrantes ilegais, que em sua maioria chegavam a nado e não passam de jovens.

Crise migratória na Espanha

Sobretudo os casos dos jovens são mais graves, pois, devido a acordos entre os países, as deportações são mais difíceis.

Devido a isso o Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha criou um protocolo com o Marrocos para que as crianças que desejem voltar e entrem em contato com as suas famílias.

Por fim, muitos desses imigrantes acabam voltando ao Marrocos, uns obrigados pela polícia, e outros escolhem voltar de forma voluntária por não terem encontrado trabalho e alojamento.

E então? O que achou dessa matéria? Não esquece de comentar!

Fique com a gente e dê uma olhada em outras matérias do Boletim! Até a próxima!

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