ELEIÇÕES ALEMÃS, COMO IRÁ ACONTECER ESSA DISPUTA? (PARTE 2)

Em setembro deste ano irão ocorrer as Eleições Gerais para o Bundestag, o Parlamento Alemão. Além de mercarem o início de uma nova coalisão no parlamento, estas eleições marcam o fim da Era Merkel.

Isso porque a atual chanceler alemã declarou que não irá concorrer nas eleições este ano.

Por isso no artigo de hoje do BE falaremos sobre as eleições alemãs, como elas funcionam e quais são os principais partidos na disputa. Você pode conferir a primeira parte deste artigo sobre o Governo Merkel, aqui.

O SISTEMA POLÍTICO ALEMÃO

Em primeiro lugar, precisamos entender que o sistema político alemão é diferente do brasileiro. Na Alemanha adotam o sistema de democracia parlamentarista. Isso quer dizer que as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo são separadas. Ao contrário do Brasil, visto que o presidente exerce ambas as funções.

O atual presidente alemão, que é o Chefe de Estado, é Frank-Walter Steinmeier, do SPD. As eleições para presidente ocorrem de maneira indireta a cada cinco anos através da Assembleia Federal (Bundesversammmlung).

As próximas eleições para presidente vão ser em fevereiro de 2022 e Steinmeier já anunciou que vai tentar se reeleger. Caso queira saber mais você pode conferir aqui, no site oficial do Bundestag (em inglês).

eleições alemãs
Angela Merkel e Frank-Walter Steinmeier em 2018.

Contudo o presidente é apenas um cargo cerimonial. Desta maneira quem governa de fato é o Chefe de Governo, que na Alemanha recebe o nome de Chanceler, que atualmente é Angela Merkel (CDU).

Assim como as eleições para presidente, o Chanceler também é eleito de maneira indireta. O vídeo a seguir vai explicar um pouco melhor como funciona o sistema político alemão e as eleições para Chanceler:

COMO A MERKEL É ESCOLHIDA LÍDER DA ALEMANHA? SISTEMA POLÍTICO ALEMÃO EXPLICADO – Canal Alemanizando

OS PRINCIPAIS PARTIDOS

Em resumo, por causa do sistema alemão, são poucos os partidos que conseguem ocupar cadeiras no Parlamento. Como dito no vídeo, apesar de ser um sistema multipartidário, apenas aqueles que atingem 5% dos votos conseguem assentos.

Hoje os seis maiores partidos da Alemanha são: CDU, SPD, Die Grüne, FDP, Die Linke e AfD. Assim, estes são os partidos que conseguem eleger representantes no Parlamento.

O gráfico a seguir desenvolvido pela Universidade de Mannheim mostra onde os posicionamentos dos partidos se encontram e sua comparação com 2017. Enquanto o eixo X representam políticas econômicas (indo da esquerda para a direita), o eixo Y representam políticas sociais (indo do progressismo para a tradição).

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Gráfico da Universidade de Mannheim.

Agora veremos um pouco mais sobre alguns destes partidos.

CDU – CHRISTLICH DEMOKRATISCHE UNION DEUTSCHLAND

Em primeiro lugar, temos a “União Democrática Cristã” ou somente “A União” é um partido de centro-direita alemão fundado durante a II Guerra Mundial por integrantes da classe média da resistência contra o Nazismo. Possui um “braço” na Baviera, chamado CSU (Christlich-Soziale Union in Bayern, ou União Social Cristã).

É o partido que mais elegeu chanceleres até hoje e além de Angela Merkel conta com nomes famosos como Konrad Adenauer e Helmut Kohl.

De acordo com o próprio partido seus valores são os ensinamentos sociais católicos, o conservadorismo e uma livre economia (social) de mercado, que conta com um grau de regulamento estatal na economia.

Seu candidato é Armin Laschet, governador da Renânia do Norte-Vestfália e atual líder do CDU desde janeiro de 2021. Ele atualmente tem 60 anos e é formado em Direitos pelas universidades de Bonn e de Munique, além de também ter atuado como jornalista. Sobretudo é um grande aliado da Merkel e se descreve como uma mistura da atual chanceler com Emmanuel Macron, presidente francês.

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Armim Laschet do CDU

O CDU é um dos favoritos para vencer as eleições alemãs e seu desempenho está ligado à popularidade de Merkel. Sobretudo é um partido pró-União Europeia. Algumas de suas propostas incluem maior controle dos gastos públicos, maior digitalização e tem como jargão “estabilidade e renovação.

Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.

SPD – SOZIALDEMOKRATISCHE PARTEI DEUTSCHLANDS

Já o “Partido Social Democrático da Alemanha “ é um partido de centro-esquerda fundado em 1890, por isso tem o título de partido mais antigo da Alemanha. Até hoje é um partido muito ligado à classe trabalhadora e aos sindicatos alemães.

De o fim da II Guerra Mundial, o SPD elegeu três chanceleres, estando atrás apenas do CDU. Dentre eles, Helmut Schmidt, “pai” do sistema monetário europeu junto ao ex-presidente francês Valéry Giscard d’Estaing.

O partido é guiado sobretudo pelo princípio de um Estado social forte, alinhado ao conceito justiça social e à proteção do trabalhador. Desde 2013 faz parte da coalisão do CDU.

Olaf Scholz foi o candidato escolhido para representar o SPD nestas eleições. Ele tem 62 anos e já foi prefeito de Hamburgo, uma das principais cidades alemãs. Além disso, hoje ocupa o cargo de Ministro das Finanças e vice-chanceler. Assim como Laschet, é formado em Direito, porém pela Universidade de Hamburgo e se especializou em direito do trabalho.

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Olaf Scholz, do SPD.

De antemão algumas de suas propostas incluem o aumento do salário mínimo, o reforço do controle dos preços dos aluguéis. Seus valores têm aumentado na Alemanha nos últimos anos, principalmente em grandes cidades como Berlim. Além disso pretendem investir em infraestrutura verde e digital.

Contudo, Scholz encontra as polêmicas envolvendo os escândalos financeiros de Wirecard e Warburg podem atrapalhar seu caminho até a chancelaria. Porém sua atuação durante a pandemia liberando ajuda financeira para a população é um ponto favorável ele.

Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.

BÜNDNIS 90/DIE GRÜNEN

“Aliança 90” ou “Os Verdes” é um partido de centro-esquerda progressista que surgiu entre as décadas de 1980 e 1990. Essa é a primeira vez que os verdes disputam a chancelaria e estão entre os três primeiros colocados.

O partido veio de uma aliança de diversos grupos como de ambientalistas, movimento pacifista e o movimento antinuclear. Atualmente estes ainda são os princípios que guiam o partido, que busca conciliar o desenvolvimento ecológico, econômico e social.

Annalena Baerbock é a candidata dos verdes e atual líder do partido. Ela tem 40 anos e é formada em Direito e Ciências Políticas pela Universidade de Hamburgo. Além disso tem um mestrado em Direito Internacional Público pela London School of Economics. Contudo, ela não possui experiência em cargos do executivo, fator que é usado por seus oponentes contra ela.

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Annalena Baerbock do BÜNDNIS 90/DIE GRÜNE.

Suas principais propostas incluem modernização ecológica da economia alemã, maior justiça social e maior coesão na sociedade. Assim como os outros dois partidos, os verdes são pró-União Europeia e buscam sobretudo uma Europa forte. Aliás, gostariam de a longo prazo construir uma “federação europeia”.

Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.

DEMAIS PARTIDOS

A princípio, além dos três partidos citados é esperado que outros três consigam o quociente mínimo de 5% dos votos das eleições para entrar no Parlamento. Mas suas chances de elegerem um chanceler são menores por sua vez. Esses partidos são:

  • Freie Demokratische Partei (FDP): “Partido Liberal Democrático da Alemanha”. É o partido liberal que tem Christian Lindner como candidato. É um partido que defende a diminuição do papel do Estado na economia e na sociedade. Durante a pandemia criticaram as medidas do governo, principalmente o lockdown. Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.
  • Die Linke: “A Esquerda”. Como já diz o nome, é o partido de esquerda da Alemanha, chamado de “herdeiro da RDA”. Possui dois candidatos, Dietmar Bartsch, da ala moderada, e Janine Wissler, da ala mais radical. O partido defende a taxação maior dos mais ricos, aumento do salário mínimo e congelamento do preço dos alugueis. Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.
  • Alternative für Deutschland (AfD): “Alternativa para a Alemanha”. Por último, temos o partido de extrema direita populista. Seus candidatos são Alice Wiedel e Tino Chrupalla e os dois defendem que a Alemanha se distancie da União Europeia. Além disso, o partido também defende políticas anti-imigrantes. Por fim, o AfD foi acusado de ter laços com grupos neonazistas. Caso queira conferir o site do partido (em alemão), clique aqui.
Prédio do Bundestag, em Berlim, capital alemã.

Dessa forma, os alemães vão para as urnas apenas dia 26 de setembro, logo demoraremos alguns meses para saber os resultados das eleições.

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