Padrão-ouro: conheça o sistema que enriqueceu países

Você já conhece o padrão-ouro? Esse sistema durou várias décadas, mas acabou caindo no esquecimento.

Hoje, você vai descobrir como surgiu, qual país mais enriqueceu com ele e como terminou o padrão-ouro.

O QUE FOI O PADRÃO-OURO?

Padrão-ouro: saiba como funcionava esse sistema monetário

O padrão-ouro foi o primeiro sistema monetário global que permitia trocas entre os países. O primeiro país a adotar este sistema foi o Reino Unido em 1821. Os Estados Unidos adotam este sistema em 1879.

Desse modo, o padrão-ouro lastreava a moeda vigente no preço do ouro. Moedas e notas simbólicas representavam o valor do dinheiro.

Contudo, durante os períodos em que o sistema durou, ele tinha como principais características a adoção de uma proporção fixa do valor da moeda para o ouro. Além disso, dava total liberdade de exportação e importação entre os países.

Nesse sentido, quando os países ocidentais adotaram o padrão-ouro, ele acabou por se tornar o padrão do Sistema Monetário Internacional. Isso, porque cada país havia fixado a sua moeda a uma certa quantia de ouro, onde também existiam taxas de câmbio fixas entre eles.

OS CICLOS DO PADRÃO-OURO

Podemos dividir o padrão-ouro em 3 ciclos diferentes, onde cada um explica uma fase de seu desenvolvimento, são eles:

PRIMEIRO CICLO (1821-1914)

O primeiro ciclo se dá com a introdução do padrão-ouro pelo Reino Unido em 1821 e termina com a Primeira Guerra Mundial em 1914.

Todavia, nesse primeiro ciclo a moeda era sempre resgatável pelo seu valor em ouro e existem até mesmo moedas de ouro em circulação, porém em menor quantidade. O primeiro ciclo facilitou muito o comercio internacional e o sistema de preços.

Entretanto, com a Primeira Guerra Mundial, algumas condições para a continuidade deste sistema são abaladas, sobretudo tendo em vista a queda das transações internacionais e a emissão de moeda que financiou os países durante a Guerra.

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SEGUNDO CICLO (1925 – 1931)

Após o fim da Guerra, o Reino Unido introduz novamente o padrão-ouro, porém, nesta versão, o sistema era composto somente pelo ouro em barra. Assim, limitava-se as trocas da moeda representativa pela mercadoria a não ser para grandes transações.

Entretanto, novamente o sistema é abalado, desta vez pela Grande Depressão em 1929. Em conjunto com a excessiva saída de ouro do Reino Unido, que põe fim ao sistema em 1931.

Desse modo, nos Estados Unidos o encerramento do padrão-ouro veio com a adoção do plano New Deal em 1933 no governo do presidente Franklin D. Roosevelt.

Biden recoloca o quadro de Roosevelt no salão oval - Paulo Gala / Economia  & Finanças
No centro, o quadro de Roosevelt

TERCEIRO CICLO (1944 – 1971)

Um terceiro ciclo só pode ser considerado pelo fato de que, o comércio internacional ainda precisava de uma taxa fixa de câmbio entre os países.

Dessa forma, nesse sistema não havia mais a conversão do ouro para circulação interna nem reservas de ouro. Somente usado então, para definir taxas de câmbio fixas entre os países.

Todavia, este novo sistema foi adotado após os acordos de Bretton Woods em 1944. Neles, ficou estabelecida uma paridade do dólar para o ouro, e das outras moedas para a moeda americana. Você pode ler mais sobre essa série de acordos clicando no botão abaixo!

Contudo, a maior parte do sistema já funcionava com o uso da moeda fiduciária: o papel-moeda. A adesão definitiva da moeda vem junto com a queda do Sistema de Bretton Woods em 1971.

Conferência de Bretton Woods decidiu rumos do pós-guerra e criou FMI |  Acervo
Conferência de Bretton Woods 1944

A ECONOMIA INTERNACIONAL DO PADRÃO-OURO

O padrão-ouro ditava as ações dos países de acordo com sua Balança Comercial.

Quando um país tinha uma balança comercial favorável, ou seja, exportava mais do que importava. O padrão-ouro funcionava assim:

  1. Este país importava ouro de países em déficit;
  2. Tal ação faria com que a oferta interna de moeda aumentasse no país, elevando a base monetária e aumentando os preços;
  3. Com a elevação dos preços, os produtos do país perderiam espaço nos mercados internacionais, o que serviria para frear novos superávits.

Entretanto, quando um país tinha déficit na balança comercial, ou seja, importava mais do que exportava. O Padrão-ouro se daria assim:

  1. Exportava ouro para outros países;
  2. Essa ação, cria uma contenção monetária.
  3. Com a contenção monetária, os preços internos cairiam, fazendo com que seus produtos ganhem mais espaço no Exterior.

Sendo assim, o padrão-ouro buscava achar o equilíbrio na economia internacional, permitindo que cada país tivesse uma base monetária significativa através da paridade cambial. A consistência da base monetária iria então gerar o equilíbrio da balança comercial.

padrão-ouro

Desta maneira, o país que mais se beneficiou do padrão-ouro enquanto estava vigente foi o Reino Unido. Visto que, pelo menos durante o primeiro ciclo era o centro financeiro do mundo e a maior potencia comercial do planeta.

O FIM DO PADRÃO-OURO

Após a Primeira Guerra, os Estados viram a necessidade de criar uma moeda soberana e fiduciária, ou seja, que é garantida pelo próprio Estado que a emite. Com o padrão-ouro era impossível que um Estado fizesse uma politica de expansão monetária, para financiar por exemplo, uma guerra.

Leia também: Diferenças entre política fiscal, monetária e cambial

Então, com o fim do sistema de Bretton Woods, os EUA definiram a extinção do padrão-ouro e adotaram um sistema flutuante. Um regime de flutuação livre baseado principalmente no dólar, suscetível à intervenção dos bancos centrais.

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2 comentários
  1. Bom dia.

    A título de esclarecimento. Conforme explicado, o país com superávit na balança comercial importava ouro de países com déficit, e isso aumentaria a base monetária do país com superávit, de forma a “frear” sua economia, causando uma leve inflação nos preços e, consequentemente, equilíbrio. Nesse caso, a moeda do país com superávit, seria o ouro? Pois somente sendo o ouro a moeda, esse cenário é possível, pois caso fosse utilizada moeda fiduciária, a oferta monetária aumentaria no país que exportava o ouro, e o desequilíbrio seria ainda maior. Sendo assim, qual moeda de troca utilizada para que os países com superávit importassem ouro dos países com déficit? Ou o ouro era simplesmente transferido?

    Respeitosamente.

    Murilo Barbosa de Almeida Junior.

    1. Fala Murilo, boa tarde! Tudo bem? Muito obrigado pelo comentário!
      A economia internacional do padrão-ouro se deu no primeiro ciclo (acho que não deixei isso explicito, erro meu), então a moeda utilizada pelos países ainda era lastreada em ouro, logo importar ou exportar o ouro puro, fazia sentido para tentar equilibrar a sua balança comercial. Provavelmente as trocas só eram feitas em países que já utilizavam do padrão-ouro. Não sei se ficou claro, mas pode perguntar novamente caso tenha dúvida.

      Rodrigo Maicon – Redator do BE

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