Entenda a importância dos estreitos e canais

Olá! Hoje vamos entender um pouco a importância dos estreitos e canais para a economia global, comércio exterior e logística internacional.

Ou seja, vamos abordar os principais canais e estreitos do mundo e mostrar o valor estratégico dessas estruturas para a humanidade.

Então vem com a gente, que a viagem hoje é uma grande volta ao mundo!

Rotas Marítimas Globais

Navegação

Antes de mais nada, temos que ter a ciência de que esse é um texto sobre navegação, e sobre os gargalos que existem na navegação mundial. Isso porque, ainda hoje, toda grande carga tem seu transporte feito por vias marítimas, com os oceanos sendo a principal via de tráfego entre continentes.

Dessa forma, as rotas marítimas são essenciais para a logística global, e quaisquer gargalos identificados comprometem enormes cadeias de suprimento. Além disso, a presença de estreitos e canais se mostram atalhos úteis para encurtar essas rotas e os custos inerentes ao esforço de se deslocar por elas.

Assim, vemos que alguns desses canais e estreitos reduzem fortemente o tempo e os custos de transporte, que representam em média 40% dos custos totais de produção. Isso se reflete em preços menores na ponta final da cadeia, ou seja, nas pessoas que consomem.

Além disso, apesar de haver opções como transporte aéreo, não vemos empresas movendo soja ou minério de ferro de avião. Exceto em casos de emergências ou crises humanitárias, por exemplo.

Canais e Estreitos

Nesse sentido, entender a importância dos canais e dos estreitos é crucial no comércio exterior. Sabemos que os navios em suas rotas as vezes passam por regiões específicas entre países, ou entre ilhas e continentes, conhecidas como estreitos ou mesmo por canais artificiais, como é o caso do Canal do Panamá ou do Canal de Suez.

Estreitos e canais
Maiores portos do mundo em movimentação geral de carga e de carga conteinerizada (2003).

Assim dada a importância dessas regiões, vamos conhecer os principais canais e estreitos nas rotas marítimas globais.

Canal do Panamá

Estreitos e canais
Canal do Panamá

Regiões geopoliticamente mais estáveis como é o caso do Canal do Panamá, ou seja, que não possuem conflitos com países vizinhos tornam-se bastante viáveis. Ele inclusive já pertenceu aos Estados Unidos, hoje já não mais, porém nem nessa época houve qualquer tipo de instabilidade.

Agora em posse do Panamá, não existem cenários onde o canal esteja indisponível por quaisquer motivos. As discussões atuais a seu respeito são voltadas a sua expansão dado o aumento no tamanho dos navios.

Ainda mais quando se tratando de sua relevância geográfica, encurtando a rota através do continente americano em mais de 12.500 quilômetros. Como vemos abaixo, através dele é possível realizar o trajeto sem contornar a América do Sul pelo Estreito de Magalhães.

Bósforo & Dardanellos

Bósforo & Dardanellos, hoje sob controle da Turquia, já foi alvo de alguns conflitos ao longo da história. Seu peso se dá por limitar a saída do Mar Negro ao Mar Mediterrâneo, assim como do Mediterrâneo para outros mares e oceanos.

Nesse contexto, temos a atenção especial da Rússia que, ao longo da história, sempre buscou uma saída de águas quentes. Assim, devido a sua posição, a passagem possui um grande valor geopolítico na região, uma vez que a outra saída de águas quentes da Rússia, pelo mar báltico, depende dos países escandinavos.

Apesar de não possuir tanto destaque quanto às demais rotas citadas ao longo do texto, trata-se de uma região de muito peso estratégico para o planeta.

Canal de Suez

Sem dúvidas um dos canais mais importantes para o comércio global, o Canal de Suez pertence ao Egito desde sua nacionalização no governo Nasser. Ele é crucial para mover cargas da Europa para a Ásia, do Mediterrâneo ao Oceano Índico.

Além disso, trata-se de uma obra artificial, feita por um consórcio franco-britânico que faz uso da posição do Egito com litorais no Mar Mediterrâneo e no Mar Vermelho.

Ao longo da história, essa rota era feita por terra, onde os navios descarregavam e essas cargas seguiam por terra até o Mar Vermelho com destino ao Oceano Índico. Com o advento do canal, tornou-se possível o trajeto apenas com os próprios navios.

Inclusive, as vantagens de Suez já foram abordadas pelo boletim, e basta clicar aqui pra saber.

Contudo, diferente do Panamá, o Egito é um país sujeito a crises, sendo a mais recente a primavera árabe. Esse evento colocou em risco uma das rotas mais cruciais do planeta, sendo alvo de interesse até mesmo do próprio Napoleão Bonaparte. Fora isso o canal também demanda reformas de expansão.

Estreitos e canais

Estreito de Ormuz

Em Ormuz temos de um lado o Irã e do outro lado a península arábica envolvendo os Emirados Árabes, Omã e até a Arábia Saudita. Esse faz jus ao termo “estreito” possuindo apenas 40 quilômetros de largura, mas esse não é seu maior problema.

Ele está inserido em uma região de graves conflitos envolvendo em especial a Arábia e o Irã que disputam a região. Assim, qualquer guerra que envolva o Irã pode provocar o fechamento desse estreito que é muito relevante pois escoa cerca de 15% a 20% do petróleo mundial. O petróleo que sai do Golfo Pérsico.

Dessa forma, sempre que ameaçado o Irã sugere fechar o estreito e isso pode gerar uma crise grave em termos de abastecimento de petróleo.

Estreito de Málaca

Por fim chegamos ao Estreito de Málaca no extremo oriente entre a Malásia e a Indonésia. Esse estreito é um dos acesso ao mar da China Meridional inferior e trata-se de uma região muito sensível a China devido ao escoamento do petróleo.

Além disso trata-se de uma região que envolve muitos países, logo, crises internacionais podem comprometer o trânsito de cargas. Vale ressaltar que, apesar da posição de Singapura, o estreito não tem influência do país em seu controle.

Inclusive existem tratados que definem soluções a cenários de conflitos, uma vez que o bloqueio desse acesso pode comprometer a circulação Europa x China, afetando fatores como tempo de viagem custos de frete, dentre outros.

E então? O que achou da matéria de hoje? Conta pra gente nos comentários e até a próxima!

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