Como se explica o desemprego?

Vamos começar hoje com um fato meio triste. Mesmo na mais ideal das economias, nem todo mundo teria emprego. Ou seja, um mundo com zero desemprego não é nem mesmo uma utopia, é impossível mesmo.

Nem numa utopia todos teriam emprego.

Mas por que o mundo é assim? Vem comigo que eu explico o que é o emprego e desemprego.

O que é pleno emprego?

Pleno emprego não significa todos com trabalho, significa apenas desemprego em níveis aceitáveis.

Embora pareça absurdo considerar aceitável que algumas pessoas não tenho trabalho, a vida é como é e nem sempre não estar trabalhando é um mal sinal.

Pessoas trocam de trabalho, escolhem esperar melhores ofertas, ou estudar mais antes de tentar entrar de novo no mercado de trabalho, tudo isso cria uma massa de pessoas que vão estar desempregadas em qualquer dado momento.

Alguns escolhem estudar mais antes de buscar emprego.

Não existe um valor exato do que é aceitável, porém existe um certo consenso entorno de 3% de desemprego como um bom sinal para a economia. Ou melhor, um sinal de que a economia não está mal, uma diferença sutil, mas que economistas gostam de fazer.

Por que não contratar depois de várias demissões?

Em termos gerais, empresas escolhem não contratar quando o custo de adicionar mais uma pessoa ao quadro produtivo é maior que o lucro possível que ela irá gerar. Essa regra geral vale até mesmo em momentos saudáveis da economia, uma empresa não contrata uma pessoa que não trará mais lucros que custos.

Você pode pensar, portanto, que para resolver o problema basta diminuir os salários. Porém, não é bem assim.

Diminuir salários pode resolver o problema numa escala individual, dentro de uma firma, mas gera problemas em uma escala maior. Salários menores implicam em consumo menor, que gera uma economia menos atrativa e diminui a demanda, o que por sua vez pode gerar crises que geram mais desemprego.

É um efeito cascata.

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Além disso, temos um outro problema para contratar. Não existe mobilidade perfeita, embora alguns economistas queiram muito fazer parecer que sim.

Isso significa que quando você contrata uma pessoa, assume os gastos para treinar essa pessoa, capacita-la para o trabalho que ela irá fazer. Mesmo que ela esteja vindo de uma concorrente, a troca de firma implica na mudança de pequenos procedimentos que rapidamente se acumulam.

As formas de desemprego

O desemprego toma três formas gerais, ou seja, ele tem três carinhas básicas.

  • O Conjuntural

Uma forma de desemprego que é dependente da demanda efetiva, o que significa dizer que ele flutua no curto prazo, variando drasticamente mês a mês.

Um bom exemplo são as colheitas sazonais, que contratam centenas de pessoas por alguns meses apenas. Ou as contratações de final de ano de atendentes nas lojas.

  • O Estrutural

Aqui o desemprego vem da dinâmica da economia no longo prazo. Economia fraca gera desemprego, basicamente.

O Brasil atual é um ótimo exemplo de uma economia que sofre de desemprego estrutural. Com quase 15% da população desempregada, e um alto número de subempregados, a atual crise do Brasil não começou hoje, e nem será resolvida amanhã.

  • O Oculto

É o trabalho que pode aparecer nas estatísticas, e que é muito utilizado para inflar os números de economias em queda livre, mas que na verdade é um trabalho informal e/ou precarizado.

São empregos como motorista de aplicativo, camelô e outros trabalhos informais. Sem garantias trabalhistas, sem regulamentação e que em geral são exercidos não uma escolha, mas por uma necessidade.

Uma velha nova forma de desemprego

Existe ainda uma forma de desemprego que pode ser absorvida pelo desemprego estrutural, mas que com o crescimento da velocidade do desenvolvimento tecnológico é quase uma coisa em si agora.

O desemprego tecnológico é quando a massa de trabalho não se adapta às mudanças na produção e é substituída por novas formas de trabalho.

Um ótimo exemplo são as mudanças que ocorreram na produção de carros desde o final da década de 70 até hoje, antes um trabalho extremamente manual, hoje montadoras exigem cada vez menos funcionários e algumas ao redor do mundo já começaram a se adaptar para serem totalmente autônomas, praticamente zerando os humanos na fábrica.

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Essas mudanças implicam na demissão de diversas pessoas e geralmente, esses grandes avanços implicam num boom de desemprego que se não for remediado pelo Estado de alguma forma, se torna um desemprego estrutural.

Bem, essa é apenas uma das formas que economistas entendem o desemprego, uma visão majoritária porém não única, então se você tiver dúvidas, comentários ou discordâncias, fala comigo!

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