Agrotóxicos ou Orgânicos: contexto e possibilidades

Caro leitor, é possível que a sua mãe já tenha dito, em frases clichês, para você comer verduras. “Devemos evitar os agrotóxicos”! Por assim dizer, por mais que você e eu tenhamos uma relação de amizade, não posso dizer como é a sua alimentação, amigo leitor. Por assim dizer, não tenho habilidades para tal.

Assim, brincadeiras a parte, os alimentos que consumimos estão cheios de agrotóxicos, entre outras substâncias. Entretanto, porquê começamos a utilizar esse tipo de controle de pragas? Como isso afeta a economia, a saúde? Agrotóxicos? Orgânicos? Existem alternativas viáveis economicamente para isso? Puxa a cadeira, pega uma saladinha e vem comigo!

Agricultura com Agrotóxicos ou Orgânicos: contexto e possibilidades
Acesso em: 9 set. 2021.

Primeiramente, preciso apontar que utilizei, em boa parte, do texto de Vitor Alfredo de Rezende Alves. O mestre em Geografia escreveu seu trabalho para um Simpósio, evento acadêmico. Nesse caso, o evento tinha forte relação com o curso de Geografia.

O mestre pela UFG, explica um pouco sobre como os agrotóxicos passaram a ser usados no Brasil e no mundo. Segundo o seu estudo, o uso de agrotóxicos faz parte da ideia do agronegócio. Por sua vez, seus usos interferem no campo, cidade, na fauna e flora. Em suma, produzir alimentos envolve economia, gera empregos, riqueza. Além disso, garante endinheiramento de grandes empresários.

Mas o uso dos agrotóxicos, é ainda necessário? É a condição para crescer lucro dos grandes latifundiários? É uma necessário devido ao tipo de propriedades no Brasil?

AGRICULTURA E MODERNIZAÇÃO

Thomas Malthus viu, no século XIX, a população crescer! Isso o preocupou. As pessoas precisam de alimento, recursos para sobreviver! Ele se preocupava se conseguiríamos “dar conta” dessa gente toda! Ele criou uma teoria populacional, dizendo que teríamos mais gente para alimentar do que recursos!

No século XIX tínhamos um bilhão de pessoas povoando o planeta. Já no século seguinte, chegamos a dois bilhões na década de 30. Já em 1970, quatro bilhões. Por fim, sete bilhões em 2012! Entretanto, após a Segunda Guerra Mundial, várias inovações passaram a chegar na agricultura! Ufa, ainda bem! Como que alimenta esse monte de gente? Se todas as pessoas comessem do tanto que eu como, sinceramente, seria difícil alimentar todo mundo.

Essas tecnologias não foram enviadas pelos alienígenas do passado! NÃO! Em resumo, foram desenvolvidas na guerra. Como resultado, vistas como opção para produzir mais e alimentar mais gente.

“[…] medidas como pesquisas, crédito, fertilizantes, agrotóxicos, maquinário e implementos agrícolas foram aplicados. Foi a chamada Revolução Verde.” (ALVES, 2019).

MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA NO BRASIL

De acordo com o professor de Geografia, no Brasil, esse processo de modernização ocorreu em 1970. Essa década mostrou uma “virada” na agricultura! No entanto, esse conjunto de coisas beneficiou apenas grupos específicos. Quem produzia em monocultura, buscando exportar, se saiu bem!

Agricultura com Agrotóxicos ou Orgânicos: contexto e possibilidades
Acesso em: 09 set. 2021.

A relação do produtor com a terra passou a ser mais empresarial, visando apenas o lucro. Assim, o pequeno agricultor não obteve as mesmas chances. Por conseguinte, as oligarquias rurais, os donos de enormes quantias de terras, saíram na frente! Ou seja, duas visões em relação ao desenvolvimento da agricultura, foram colocadas.

Uma delas, entendia que deveria existir maior produção, dividindo melhor as terras. Pensava-se assim, em acabar com os latifúndios. Acrescento uma contribuição minha: até mesmo na maior nação capitalista, nos Estados Unidos da América, isso foi feito. A ideia colocada em prática foi a segunda. De acordo com o texto, a outra visão propunha o uso de opções tecnológicas, modernizadoras da agricultura. Contudo, sem mexer na distribuição de terras.

COTIDIANO E O PEQUENO PRODUTOR

Caso você tenha andado de carro pelas estradas do país, sabe qual ideia venceu! A segunda visão está presente no seu dia a dia. Quando você anda horas de carro, vê terras apenas cercadas, sem ninguém usando boa parte delas. Ou ainda, quando vê longas áreas com apenas um tipo de produção!

Afinal, o pequeno produtor, que não tem acesso a todos aqueles recursos, fica prejudicado economicamente. Por sua vez, os grandes produtores passam a exportar ou a vender seus produtos para indústrias. Produzir para o país, para o mercado interno, não é mais tão atrativo!

A ideia da época era de uma Divisão Internacional do Trabalho. Mas o que isso significa? Que os países mais periféricos no capitalismo, deveriam se focar em produzir matéria-prima! E atenção, exportar essa agricultura, custe o que custar. Por fim, usando de capital vindo de lugares que ultrapassavam o limite do país!

OLHA A ECONOMIA AÍ!

As empresas que produziam equipamentos queriam lucrar! É natural que elas começassem a pressionar esses agricultores! “Bora modernizar essa agricultura”! Mas o que de fato altera tudo, é o incentivo do governo. Ele passa a oferecer o crédito rural, na década de 1960! Comprar esse monte de equipamento sai caro! Era preciso alguém para “bancar essa brincadeira”.

Em resumo, os grandes agricultores estavam “plenos”, com maior lucro, donos de uma grande terra. E ainda sim, os pequenos agricultores estavam “passando sufoco”. Com as máquinas, é preciso pouca gente para trabalhar! Tradução, menos empregos gerados! Com essa chamada Revolução Verde, os custos para produzir são maiores! Além disso, essa agricultura “passou por cima” da mata. Olha o Cerrado sendo desmatado!

Como o geógrafo lembra, sementes, adubos, fertilizantes, agrotóxicos e máquinas eram usadas! Esses pontos eram comprados do mercado exterior! Imagina “quanta grana” isso movimenta! Em conclusão, grandes empresas foram formadas. Usavam de capital de outros países, monoculturas, grandes terras.

OS AGROTÓXICOS

De acordo com o mestre em Geografia, antes, a agricultura estava refém das pragas. Perdia-se muito dos alimentos! E uma das importantes modernizações da Revolução Verde, foi o uso dos agrotóxicos! Agora sim, podemos alimentar essa “montanha de gente”, pensou você! E de certo modo, você está correto! “Ponto” para os usos de agrotóxicos e a modernização da agricultura!

As frutas e hortaliças que a sua mãe fala para você comer, são as mais afetadas por essas pragas. E o combo: no Brasil, as pragas sobrevivem até com a mudança de estação! Isso pois o nosso inverno “não é lá grandes coisas”. Olha o povo do sul do Brasil protestando contra essa frase!

Foi criada a Lei 7.802/89 para falar um pouco sobre esses agrotóxicos! Mas no final das contas, a intenção desses é justamente acabar com os tais “seres vivos nocivos”. Esse termo é usado por essa lei citada! Em 1874, foram criados agrotóxicos! Mas aqueles como a gente ainda tem contato, foram pensados na Segunda Guerra Mundial! Se segura na cadeira que essa história é tensa e triste! Esses agrotóxicos, de acordo com o autor, eram usados como armas na guerra. E segundo o mestre em Geografia, foram depois modificados para se tornarem mais fortes!

MERCADO INTERNACIONAL E A TENDÊNCIA

Primordialmente, Malthus estava com medo que a gente passasse fome! Afinal, resolvemos esse problema! Vitor Alfredo de Rezende Alves usa de outros autores para dizer que usávamos, entre 1965 – 1975, mais fertilizantes do que agrotóxicos!

Quanto ao mercado internacional, nós passamos a usar mais agrotóxicos para suprir o mercado de combustíveis. Afinal, caro leitor, se você está no “mundo da lua”, desça já! Sob o mesmo ponto de vista, usamos cana, soja, entre outros itens, para produzir energia! Assim, tenho quase certeza que você não liga o seu carro 1.0, sem combustível! Para entender mais sobre esses insumos e os seus impactos na pandemia:

Em síntese, não apenas os automóveis precisam de combustíveis! Várias outras indústrias dependem desse recurso! Logo, o mundo depende dessas grandes empresas. Em resumo, elas também querem lucro em troca!

Agricultura com Agrotóxicos ou Orgânicos: contexto e possibilidades
Acesso em: 7 set. 2021.

AS CONSEQUÊNCIAS

Esse modo de produzir nos gera um forte “giro” na economia! Dessa maneira, ele também gera riqueza para o nosso país! Mas atenção, o pesquisador acima citado, alerta que existem consequências para esse uso.

Em resumo, o lugar urbano e do campo sofrem com isso. A nossa natureza também não suporta mais essa situação! Por essa razão, cada vez mais, vemos esse tipo de discussão no noticiário! Até mesmo fazemos Conferências sobre o assunto! Como desenvolver sem destruir o planeta?

O geógrafo alerta, mesmo que usando outros investigadores, que mais de um terço dos alimentos que está na nossa mesa, está contaminado! Em um período de dez anos, mais de 60 mil intoxicações por agrotóxicos, foi registrada.

E atenção, muito provavelmente esse número é maior. Não temos noção do total exato, pois muitas pessoas sequer se consultam com médicos. Não percebem o motivo da contaminação. Esses agrotóxicos demoram, às vezes, a mostrar os danos no corpo.

Como bem lembra o pesquisador, cuidar desses doentes também gasta recursos. Caso a pessoa se consulte pelo Sistema Único de Saúde – SUS, serão 150 reais para cada paciente! Olha o dinheiro público descendo pela privada e dando “tchau”.

Agricultura com Agrotóxicos ou Orgânicos: contexto e possibilidades
Acesso em: 7 set. 2021.

AGRICULTURA: IMPACTOS DIRETOS E INDIRETOS

Fauna e flora são intoxicados pelos agrotóxicos. Mas também, a água e o solo são atingidos! Dessa forma, aplicando algum químico na planta, ao chover ou ser irrigada, aquele produto vai para o solo. Além disso, pode atingir as reservas de água que consumimos! E em síntese, outras espécies também são afetadas. Olha a “dor de cabeça”. Se em 1958, contávamos com 193 pragas, em 1976: 593! Elas se tornam mais resistentes, como lembra o autor. Por conseguinte, precisaremos, cada vez mais, de agrotóxicos mais fortes. Esse ciclo perigoso faz o nosso planeta entrar em colapso devido à crise dos ecossistemas.

Ou seja, avançamos, começamos a não mais precisar “rezar” para a colheita dar certo. Entretanto, estamos intervindo de forma que nós mesmos sairemos prejudicados! Precisamos criar novas estratégias. Mas atenção, isso não significa destruir a economia! Precisamos nos adaptar.

Para além disso, fiquemos atentos que o cultivo de alimentos se mantém os mesmos. Mas estamos garantindo o mercado de exportação! Entre 2002 e 2011, registramos mais produção de monocultura.

POR QUÊ PRECISAMOS AINDA DE TANTOS AGROTÓXICOS?

Segundo o autor, são usados os agrotóxicos na intenção de suprir uma produção rápida, típica do nosso mundo capitalista. Nessa modernização da agricultura, a intenção é usar reduzida mão-de-obra. Ou seja, o alimento é visto como mercadoria. Pois são criadas estratégias para atingir lucro. As terras são muito grandes. Como cuidar de tanta terra? Não seria necessário mais gente trabalhando nelas? Para evitar isso e não reduzir lucros, usam-se agrotóxicos.

Aos economistas de plantão, de acordo com os dados trazidos pelo professor da rede pública, um dólar gasto retorna como 14. Nos países que não sofrem com mudanças bruscas de clima, esse lucro pode ser maior. Os agrotóxicos foram a solução. Agora, se tornaram problema.

AGROECOLOGIA

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, apontou que temos comida para todos! Mas ao mesmo tempo, no Brasil e, no mundo atual, estamos vendo pessoas passando fome. O que se observa é um desperdício.

Outro fator é que nem todos podem comprar os alimentos. Perceba que a comida passa a ser vista como mercadoria! Entretanto, atenção, até hoje desconheço quem consiga viver sem comer. Uma das opções listadas pelo autor, é a agroecologia. Por assim dizer, ela trabalha na ideia de produzir abandonando os agrotóxicos. Ela estaria ligada aos movimentos sociais.

E aqui, aponto uma contribuição minha. Auxilio na construção de Relatórios Antropológicos em vários quilombos e comunidades tradicionais de Minas Gerais. Parte delas não utilizam de agrotóxicos, movimentam a economia local, mesmo com poucos recursos para investir. Geralmente, são famílias que tiram dali, o seu sustento. Para além disso, sofrem com ataques de grandes fazendeiros e invasores de terras. Seus direitos por vezes são negados.

AGROFLORESTAS

Por outro lado, uma opção levantada pelo investigador, é o uso de agroflorestas. Nesse estilo de produção, são misturadas vários tipos de cultura, garantindo que o solo não entre em erosão. Precisamos pensar que as monoculturas podem deixar os solos exaustos e improdutivos.

Para tornar esse tipo de produção, ainda maior, é necessário treinar melhor os produtores. “Nem tudo são flores”. Os produtos são entre 30% e 40% mais caros, como bem lembra o geógrafo! Por essa razão, a população ainda não “entrou de cabeça” nessa.

Por outro lado, o IPEAH – divulgou que a produção orgânica vem sendo cada vez mais estimulada pelo mercado. No Brasil, e no mundo, essa é uma tendência em crescimento. Outro ponto é a proibição de vários agrotóxicos na União Europeia. Ora, caso os nossos consumidores não queiram mais os alimentos com agrotóxicos, o que faremos? Acrescento ainda, que no Brasil, foram autorizados mais de 50 agrotóxicos somente nesse ano.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

E aqui coloco apontamentos meus! No passado, foi injetado capital do Estado e estrangeiro para realizar a Revolução Verde. Ela resolveu a questão da pouca quantidade de alimentos. Da mesma forma, a grande quantia de pessoas. Similarmente, foi necessário o capital do Estado e estrangeiro. Um fundo de empréstimos. Em resumo, talvez fosse cabível realizar o mesmo processo de incentivo para com as produções orgânicas.

É um imperativo, as condições climáticas estão desesperadoras. Precisamos ter coragem de mudar. E atenção, investindo em produção orgânica, estamos ajudando famílias com baixas condições financeiras. “Não é uma esmola”, como muitos dizem! Todo esse investimento poderia retornar para a nossa economia local e internacional. Isso pois, os outros países, o mercado internacional, está apontando para esse lado. Ao mesmo tempo, estaríamos auxiliando famílias a se tornarem mais independentes financeiramente. Por último, gastaríamos menos em saúde, tendo em vista que vários estudos indicam relação entre o câncer e o uso de agrotóxicos.

O mercado, em breve, se desestabilizará. Essa forma de produzir não é mais compatível com a nossa realidade ambiental, econômica, social, de saúde. Precisamos mudar. Em suma, os grandes produtores possuem condições de modificar suas formas de produção. Se necessário, poderiam receber os investimentos dados aos pequenos produtores.

Gostou do texto? Comenta aqui, vamos conversar? “Ah”, espero que você tenha conseguido comer a salada toda que colocou no prato enquanto lia esse texto. Torço para que ela não tenha agrotóxicos em excesso.
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