Corrida espacial 2.0, por que o espaço está no foco?

Ao falar de corrida espacial você, leitor, com certeza se encontra com o pensamento em 1947. Isso porque, após a Segunda Guerra Mundial, teve início uma disputa pela ideologia e pelo poder entre as duas potências vencedoras da época – EUA e URSS.

Este conflito é conhecido por Guerra Fria, e um dos fatores marcantes deste marco é a corrida espacial. Contudo, no cenário atual, tem-se o que vamos chamar de corrida espacial 2.0, disputada entre novos países e com novos interesses.

Assim, se você chegou até aqui, tenho certeza de que este assunto te interessa! Então vem comigo entender um pouco mais dos acontecimentos espaciais que ocorrem no momento em que vivemos.

A corrida espacial durante a Guerra Fria

Antes de termos como foco o momento atual, devemos entender um pouco sobre os motivos da corrida espacial em 1947.

Nesse contexto, o mundo possuía dois grandes polos de poder:

  1. Ideologia Socialista (URSS) e;
  2. Ideologia Capitalista (EUA).

Assim, ambos os blocos buscavam aumentar suas áreas de influência e seu número de aliados. Isso ocorria tanto por meio de bens materiais – pelos poderes econômicos e bélicos – tanto por conta de suas crenças.

Dessa forma, teve início a corrida armamentista, ou seja, a busca desses blocos opostos em superar o poder bélico e as tecnologias de guerra um do outro.

Um pouco mais tarde, derivado deste primeiro confronto, teve início a corrida nuclear. Nesse sentido, os EUA saíram com uma vantagem inicial, e a URSS o alcançou em 1949.

Por fim, deu-se início à disputa no espaço. Nesta, os soviéticos contaram com vitórias iniciais:

  • Lançamento de satélite artificial em 1957;
  • 1º foguete tripulado por um ser vivo em 1960 e;
  • Voo espacial tripulado por um ser humano em 1961.

Entretanto, o ápice dessa disputa ocorreu com a chegada do homem à Lua, em 1969. Neste momento, vitória dos EUA.

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A corrida espacial nos dias de hoje

No cenário atual, aos EUA e à Rússia foram adicionados a China, a Índia e o Japão. Além disso, a Agência Espacial Europeia (ESA) conta com 22 países membros e 8 países cooperantes.

  • Investimentos:

Desde o fim da Guerra Fria, a NASA passou por um déficit em seu orçamento. Hoje, com o equivalente à 0,48% do PIB dos Estados Unidos, o investimento é de US$22,5 bilhões.

Em 2016, a Rússia aprovou um orçamento de 10 anos correspondente à US$ 20 bilhões.

Desse modo, entre outros valores estão:

  1. ESA: 6,6 bilhões de euros em 2020;
  2. Japão: 1,6 bilhões de euros em 2019 e;
  3. Índia com um valor semelhante ao Japão no ano de 2020.
  • Projetos:

Dessa forma, uma das características da corrida espacial 2.0 são os esforços multilaterais. Assim, um projeto como a Estação Espacial Internacional envolve NASA, JAXA (Japão), ESA, CSA (Canadá) e Roscosmos (Rússia).

Ademais, somente a dupla NASA-ESA são responsáveis por colocarem em órbita o telescópio Hubble, as sondas Ulysses e SOHO (Sol), e a Cassini-Huygens (Saturno).

Portanto, tais projetos marcam uma nova era mais aberta à cooperação.

  • Marte:

Até o ano de 2024, existem seis missões marcadas para o planeta vermelho. Desse modo, vale ressaltar a sonda orbital dos Emirados Árabes Unidos e as missões em solo marciano (EUA, China, Japão, ESA e Rússia).

Além disso, existem missões à lua de Marte – Fobos – programadas por Japão, Alemanha e França.

Corrida espacial 2.0: De novo o grande jogo das potências

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A corrida espacial, a Lua e a China

O programa espacial chinês buscou reproduzir os passos adotados pela Rússia e EUA. Desse modo, reúnem-se aqui alguns feitos:

  • Primeiro satélite em 1970;
  • Primeira missão tripulada em 2003, assim, foi o terceiro país a fazê-la;
  • Míssil anti-satélite em 2007;
  • Primeira acoplagem de uma nave espacial tripulada a um módulo em órbita em 2012;
  • Pouso no lado oculto da Lua em 2018 – pioneiros – e;
  • Sistema de navegação por satélite BeiDou, a alternativa ao GPS.

Assim, a China apresentou um investimento de 7,2 bilhões de euros em 2019, é o país que mais investe em desenvolvimento espacial depois dos EUA.

  • Exploração de Hélio-3: Lua

Segundo Harrison Schmitt, ex-astronauta norte-americano, existem fatores do mundo atual os quais levam a uma busca por fontes alternativas de energia. Nesse sentido, entre eles estão:

  1. Disputas por poder político e econômico;
  2. Crescimento populacional e;
  3. Mudanças climáticas.

Dessa maneira, a China possui interesse em recursos lunares, como o gelo, os metais preciosos e as grandes reservas de hélio-3.

Nesse contexto, o hélio-3 (gás raro no planeta Terra) pode ser utilizado na produção de energia limpa em usinas de fusão nuclear.

Este gás, de acordo com dados The New Citizen (2016), seria uma solução pois 40 gramas deste substituem 5 mil toneladas de carvão – em termos de energia.

Contudo, ainda nos restam alguns questionamentos. Como por exemplo:

  1. Qual seria a vantagem dos reatores de fusão à hélio-3 em relação a outros processos?
  2. Além disso, vale realmente a pena o custo e benefício?
  3. Nesse sentido, em relação à exploração desse recurso na lua, quem chegar primeiro leva?

Caso tenha interesse em saber mais sobre a mineração de gás hélio-3:

A competição entre os bilionários

A corrida espacial no setor privado é disputada por Richard Branson, Jeff Bezos e Elon Musk.

Desde 2004, Branson vem investindo em viagens espaciais comerciais através de sua empresa de turismo espacial, Virgin Galactic.

Dessa forma, após a companhia anunciar que foi aprovada a licença necessária para o transporte de civis ao espaço, as ações da Virgin Galactic valorizaram cerca de 40%.

Nesse sentido, o primeiro voo com tripulação completa pode ocorrer entre os próximos meses. Aproximadamente 600 pessoas possuem reservas de ingressos com a Virgin Galactic – com um valor em torno de US$250 mil cada.

Ademais, o empresário Jeff Bezos, fundador da Amazon, também planeja seu primeiro voo comercial para o espaço ainda este ano. Bezos possui sua própria empresa aeroespacial, a Blue Origin.

Por fim, Elon Musk, com a SpaceX, planeja uma missão totalmente civil para o fim deste ano. A SpaceX já realizou lançamentos de tripulações, treinadas pela NASA, para a Estação Espacial Internacional.

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Portanto, sabemos que, de qualquer forma, esses agentes (tanto públicos quanto privados) deixarão marcos na corrida para a exploração do espaço.

E então? O que achou dessa análise? Envie para os amigos e nos deixe comentários.

Até a próxima!

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