Encilhamento: a primeira crise inflacionária do Brasil

Você sabe dizer o que foi o encilhamento? Se lembra de estudar termo na escola? O que gerou essa crise? Afinal, o que buscavam aqueles que idealizavam a República? Como funcionam as ideias de teoria e prática? Porque ocorreu essa crise inflacionária?

‘Cola comigo’ que a professora vai te levar de “rolê” virtual para te ensinar isso!

Encilhamento: conheça a primeira crise inflacionária do Brasil
Acesso em: 11 ago. 2021.

Contextualização da transição entre Império e República

Precisamos pensar que o encilhamento tratou-se de um momento de abismos! Não entendi! O que você quis dizer com isso?

Raciocina comigo! Entender o contexto do Brasil República significa perceber que estou aqui tratando de “Brasil República: de 1889 até 1945“. Assim, foi um momento de mudança! Em suma, terminava o Império e a República aparecia!

Utilizo aqui como fonte o professor Mário Cléber Martins Lanna Júnior. Em suma, na disciplina de “Brasil República: de 1889 até 1945” ministrada na PUC Minas, o docente trata do encilhamento. Essa cadeira é ministrada pelo doutor na instituição da PUC Minas. Em resumo, o historiador é referência nessa área de estudos. Assim sendo, o doutor em História Social pela UFRJ nos ajuda a pensar essa crise.

Em síntese, a visão da época era de que a República representaria o novo! Além disso, a noção era de que seria um mundo moderno, novo, cheio de mudanças e inovações. Era uma visão evolutiva da História de visão de pregresso!

O “velho” e o “novo”

Em contrapartida, significava entender o Império como velho, ultrapassado. Como José Murilo de Caralho lembra, a República seria a visão de modernização, ruas largas, repletas de uma visão de mundo racional.

Eram essas as ideias que se especulavam, se imaginavam. Esse ideal de República não necessariamente era exatamente alcançado. Havia muito de Império e Colônia ainda ali!

Por um lado, havia a modernização das cidades, presença da promessa da visão de progresso. Mas como Mário Lanna Júnior relembra, a História é feita de avanços e retrocessos. Em suma, existem continuidades e rupturas.

Nas escolas dividimos a História do Brasil em História Colonial, Imperial, e as nossas Repúblicas. Mas precisamos tomar cuidado! Não significa dizer que um dia o Brasil “dormiu” Império e acordou República! As transformações são lentas!

  • E falando em séc. XIX, o BE tem um post sobre o plano econômico da monarquia para o Brasil, que você pode ler aqui.

O encilhamento, modernização e “confusão”

De acordo com o CPDOC, A República traz consigo os imigrantes. A transição entre Império e República traz o fim da escravidão no Brasil. A economia da nação estava voltada para o café, investimentos externos estavam chegando ao Brasil. Para entender um pouco sobre a posterior migração japonesa:

Em resumo, as fazendas que foram afetadas pelo fim da escravidão precisavam se organizar! Agora, a mão de obra era livre!

Assim, ao passo em que ocorreu a transição entre Império e República, ocorreu um choque! O Ministro da Fazenda, Rui Barbosa cria uma plano naquela visão de modernizar. Fazer isso significa um gasto financeiro.

Aliás, relacionando com o nosso dia a dia, sabemos que não se faz nada sem dinheiro! Mesmo que seja ‘cringe’, sabemos que os boletos SEMPRE chegam.

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Assim, Rui Barbosa pensa um pacote econômico. As suas ideias ajudavam a diversificar os bancos de emissão, como o CPDOC relembra! Segundo a fonte, inicialmente contávamos com 90 empresas listadas na Bolsa em 1888. No entanto, esse número passou para 450 em 1891!

Mudanças rápidas em curto espaço de tempo! Sob o mesmo ponto de vista, aumentou-se o crédito e as formas de se pagar.

Novas companhias, novas designações, investimentos vindos de outros países! As instituições estavam mudando.

É muita mudança em pouco tempo! Para trazer o novo, a visão era de que era necessário eliminar tudo aquilo que lembrava ao Império! Não é só uma transformação econômica, mas é como jogar todas as peças do jogo de tabuleiro para o ar!

Crises, incertezas, transformações

Marshal Berman discute o assunto ao dizer que a modernidade é o destruir do velho. Ele utiliza a frase de outro pensador para dar título ao seu livro. Em suma, “tudo o que é sólido desmancha no ar” fala sobre como o mundo se transforma de maneira tão violenta que até mesmo as pessoas ficavam confusas!

Igualmente, a escravidão, o Império, eram esse velho.

A modernidade se divide em etapas! Primeiro as pessoas queriam o novo, destruir aquilo que era representava o velho, o passado.

Contudo, a segunda fase pode ser representada por uma confusão! Tudo aquilo que eu conhecia não existe mais! O encilhamento representa uma “confusão”! Foram mudanças econômicas bruscas e ao mesmo tempo. Essa confusão precisa ser somada à especulação!

Crise inflacionária que gera “bola de neve”

Por um lado, a Argentina passava por crises, às quais, estava ligada a um importante banco inglês. Por outro lado, essa situação afetaria a nova República. Nesse novo mundo, não podemos pensar que um país está isolado do outro! Rui Barbosa passa a não mais tomar as decisões na República.

Em resumo, dois grandes bancos se unem.  Banco Nacional do Brasil e Banco dos Estados Unidos do Brasil formam um novo!

Como sabemos, o primeiro foi criado no período do Império. Emitindo moeda de forma intensa, a inflação subiu. A inflação aumentou! Dessa forma, precisamos pensar também que a redução de investimentos devido à crise relacionada à Argentina foi outro problema.

De acordo com o CPDOC, existem discussões sobre o fator mais determinante para essa ‘dor de cabeça’. O culpado foi Rui Barbosa? As ações de aumento de crédito?

Acredito que, ao fim, tudo somado, fez a “bomba estourar”. Assim, entramos na segunda fase que Berman fala sobre a modernidade, o desespero, incertezas! Os bancos e as finanças públicas estavam longe de ficarem “plenas”!

Encilhamento: conheça a primeira crise inflacionária do Brasil
Acesso em: 11 ago. 2021.
  • Você sabe o que é inflação? A gente te explica. Leia mais sobre isso clicando aqui.

Afinal, o que foi o encilhamento?

Deodoro da Fonseca renuncia! Parece uma “bola de neve”. Tentou-se fundir um banco com outro, eliminar excessos! O que fazer com os bancos emissores? Olha o desespero!

Entende-se que o encilhamento representou uma crise financeira!

Mas mais do que isso, ela foi motivada por uma abertura extrema ao novo de forma rápida demais! Como quando você levanta da cama rápido demais e depois fica tonta(o). Para somar, o telefone toca, você bate o dedinho na quina da cama, cai, o cachorro late…

Ou seja, ocorreram crises em outros países e bancos! Abriram-se empréstimos, emissão de moedas, investimentos externos! No entanto, ao passo em que ocorrem problemas em um banco inglês, isso se reflete na nova República!

O Brasil queria se distanciar daquilo que ele via como atrasado: o Império! Mas, para fazer isso, caminhou rápido demais!

Mas o que é ‘encilhamento’?

“Para começar, é de se notar que o vocábulo tem origem no turfe, diversão imensamente popular na ocasião. Designava o momento em que os cavalos de corrida eram encilhados, num espaço aberto contíguo à pista, e, supostamente, as combinações e apostas referentes ao páreo eram entabuladas. Seu uso para descrever, de forma pejorativa, as negociações com ações e debêntures, dentro e principalmente fora do recinto da Bolsa de Valores, em bares, confeitarias e logradouros públicos, começou timidamente na imprensa em 1888, mas disseminou-se a seguir, e foi imortalizado a partir de 26 de fevereiro de 1893, quando a Gazeta de Notícias deu início à publicação, em forma de folhetim, dos 70 episódios de “O Encilhamento – cenas contemporâneas”, obra assinada por Heitor Malheiros, pseudônimo de Alfredo D’Escragnolle Taunay, o visconde de Taunay, engenheiro militar, francófilo, monarquista e futuro fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 13.”

Ou seja, começou-se a usar o termo vindo do cotidiano das pessoas, as corridas de cavalos! Atenção, precisamos pensar que Taunay era monarquista! Após o fim do Império, sua escrita de certa forma queria mostrar, enfatizar os erros da República! Era uma disputa!

Como Mário Lanna Júnior diz, os historiadores passaram a estudar a República com outros olhos! Enfim, notou-se que a Primeira República gerou crescimento, industrialização, mudanças nas instituições. Aliás, o próprio CPDOC aponta para esse caminho! Mas afinal, esse crescimento gerou muitas “dores de cabeça”!

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