Brasil pode deixar de vez o grupo das 10 maiores economias do mundo em 2021

Em 2020, o Brasil teve um tombo histórico de 4,1% no PIB, devido a vários fatores. Desse modo, em março de 2021 as expectativas dos principais indicadores econômicos se confirmaram: o Brasil deixou o grupo das 10 maiores economias do mundo.

Mas você sabe o que isso significa? E mais: sabe por que o Brasil pode deixar esse grupo de vez por muito tempo? Nosso texto de hoje fala sobre isso! Dá uma olhadinha:

Qual a história do Brasil no grupo?

Antes de mais nada, é preciso entender como o Brasil se colocava nesse ranking.

Sendo assim, o ranking das maiores economias do mundo é feito pela Austin Rating, que desde 1994 classifica todos os países de acordo com seu PIB anual e divulga a lista com as colocações definidas do primeiro (maior economia global) ao último (menor economia global).

Desse modo, o Brasil, sendo um país continental (que domina a maior parte do território do continente) e possuindo uma população de mais de 200 milhões de habitantes, sempre teve seu destaque.

Um dos maiores exportadores de commodities do mundo, o país tropical sempre se destacou na lista entre outros países emergentes.

BRASIL PODE DEIXAR DE VEZ O GRUPO DAS 10 MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO EM 2021

O que aconteceu em 2020?

Em 2020, como já estamos cansados de saber, todo o mundo foi atingido por uma pandemia, algo que não se via há muito tempo. Mas já te explicaram o porque disso em termos econômicos? É isso o que faremos a seguir. Veja só:

Ano passado, várias nações perderam muito em termos de renda (PIB). Vale lembrar que a equação do PIB é a seguinte:

Y = C + I + G + (X – M)

Desse modo, esses 5 fatores (consumo, investimento produtivo, gastos de governo, exportações e importações) são as variáveis levadas em conta para se medir o PIB. Você pode ler mais sobre a equação do PIB clicando aqui.

Sendo assim, se algum deles cai, o PIB também cairá. Exceto, é claro, pelas importações, que causam um efeito inverso na conta.

Portanto, em 2020 a maior parte dessas variáveis sofreu déficits. A falta de renda familiar e a alta taxa de desemprego diminuiu o consumo em 12,5%, uma taxa record para o país.

Ainda mais, de acordo com a ONU, o investimento produtivo (aquele que empresas fazem na própria produção, não o financeiro) no Brasil em 2020 caiu pela metade!

Por outro lado, os gastos governamentais sofreram um aumento, tendo em vista a tentativa de segurar a renda do país por meio do auxílio emergencial, uma política fiscal expancionista.

Já a balança comercial (X – M) fechou com superávit, de acordo com o governo brasileiro.

Mesmo com aumento do G e do X – M, os déficits em C e I foram tão grandes e profundos que, no fim das contas, a economia continuou em derrocada.

BRASIL MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO

Do 7º ao 9º e do 9º ao 12º.

Levando em conta os cálculos do PIB, a empresa Austin Rating realiza a classificação. Desse modo, o Brasil ocupou a 7º posição do ranking de maiores economias do mundo durante boa parte da década de 2000.

Após isso, com as fortes crises de 2008/2009 e 2015/2016, o país caiu em termos de PIB e crescimento econômico, como mostra o gráfico:

 Crescimento econômico em termos de a taxa de variação do PIB real

Fonte: The Global Economy

No entanto, mesmo com déficits no PIB, o 7º lugar se manteve durante todos esses anos. Ainda, em 2019 fechamos o ano no 9º lugar.

Em 2020, no entanto, o país não conseguiu se manter entre as dez maiores. Desse modo, em março/2021, a Austin Rating liberou sua nova classificação: o Brasil fechou 2020 com o 12º melhor PIB do mundo.

Com isso, além da baixa de 4,1% em relação ao último ano, o país caiu 3 posições no ranking.

Existe possibilidade de melhora?

A possibilidade de melhora está diretamente conectada à melhora da pandemia. Com a forte crise de saúde – que também acarretou crises políticas e econômicas -, a confiança no Brasil está baixa.

Dessa forma, o investimento produtivo se torna mais difícil, tendo em vista a desconfiança dos empresários.

Da mesma forma, impulsionar o consumo das famílias é uma tarefa difícil, principalmente em tempos de crise. O auxílio emergencial deverá voltar como impulsionador desse consumo, mas as parcelas agora são bem menores e mais limitadas.

A única coisa que parece continuar superavitária é a balança comercial, já que a alta cotação do dólar tende a aumentar nossas vendas para o exterior.

BRASIL ECONOMIA

Você pode ler mais sobre o câmbio aqui: Dólar comercial x Dólar turismo: entenda a diferença

Quais as previsões para 2021?

De acordo com a própria Austin Rating, o Brasil deve permanecer de fora do ranking em 2021 caso o cenário econômico continue caótico.

A previsão é de que, neste ano, mesmo com uma melhora no PIB, o país desça para a 14ª posição na lista. Ainda mais, devemos ser ultrapassados por Austrália e Espanha, de acordo com os dados do FMI.

Isso ocorre pois, mesmo os países muito afetados pela pandemia no passado (como Itália e Espanha) já conseguiram controlar o caos sanitário em seu território por meio da vacinação.

O Brasil, no entanto, ainda carece de imunização.

Desse modo, a expectativa é de que o Brasil saia de vez do ranking de 10 maiores economias do mundo e enfrente uma das maiores crises do século até agora.

E você, tem sentido os efeitos dessa crise e da queda no ranking? Conta pra gente sua opinião aqui em baixo!

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