Saiba tudo sobre a corrida pela vacina no Brasil

A corrida pela vacina vem sendo, ou pelo menos deveria, o grande objetivo do mundo todo.

Pois, a crise sanitária causada pelo coronavírus continua atingindo diferentes áreas da sociedade, principalmente em países que ainda não possuem um alto percentual da população vacinada.

Entre essas nações, está o Brasil.

Há mais de um ano vivendo em meio a uma pandemia, o país corre para tentar imunizar a população e sonha com dias melhores.

Com o povo vacinado, o número de mortes e de contaminados diminuiria cada vez mais, a economia seria retomada e o insuportável “novo normal” deixaria de existir.

Aposto que isso é tudo que você quer, certo?

Mas, você sabe como foi, em nosso país, o caminho das vacinas até aqui?

Governo federal atribui vacinação lenta à falta de doses no mundo

Calibrando os pneus

Primeiramente, é importante ressaltar a importância da vacina no combate ao coronavírus e à outras doenças.

O objetivo da vacina é criar uma resposta imunológica no corpo. Assim, elas estimulam a produção de anticorpos, que são as substâncias produzidas pelo corpo para combater os microrganismos invasores.

Desse modo, a vacinação em massa contra a Covid-19 reduziria o número de pessoas com sintomas, internações, casos graves e óbitos.

Além disso, com o tempo, isso causaria uma diminuição da circulação do vírus. Em alguns casos, pode ocorrer até a erradicação da doença, como foi com a varíola.

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É dada a largada

Há três diferentes vacinas contra a Covid-19 sendo aplicadas na população brasileira:

  • Coronavac (Butantan/Sinovac);
  • Comirnaty (Pfizer/BioNTech);
  • Covishield (AstraZeneca/Oxford).

A vacina da Janssen também já recebeu autorização da Anvisa, mas só deve chegar no país em agosto.

Coronavac

A vacina, desenvolvida pela Sinovac, foi a primeira aplicada no Brasil, no dia 17 de janeiro de 2021, em São Paulo.

No Brasil, ela passou a ser produzida pelo Instituto Butantan, a partir da metade de 2020.

Utilizando a tecnologia do vírus inativo, ou “morto”, uma técnica consolidada há anos. Ao ser injetado no organismo, esse vírus não é capaz de causar doença, mas induz uma resposta imunológica.

Segundo o Instituto Butantan, a eficácia global pode chegar a 62,3%, se o intervalo entre as duas doses for igual ou superior a 21 dias. Nos casos que requerem assistência médica, a eficácia pode variar entre 83,7% e 100%.

Mesmo assim, a polêmica vacina chinesa foi alvo de muitas críticas desde que surgiu.

Dessa forma, chegou a ser suspensa em 09 de novembro de 2020, após a morte de um dos voluntários. Mas, o Instituto logo se prontificou em dizer que o ocorrido não teve a ver com supostos efeitos colaterais.

Somado a esse fato, a coronavac se tornou alvo de uma disputa política entre o presidente Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória.

O presidente deixou bem claro que era contra a aplicação da vacina chinesa, dizendo em um de seus discursos:

 “Da China nós não compraremos. É decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso.”

Por outro lado, Dória, cada vez mais, fazia campanha pela vacinação. Assim, ressaltou, no período, que a vacina do Butantan era do Brasil e para os brasileiros. Além disso, pediu que Bolsonaro evitasse contaminar o combate à pandemia com uma disputa ideológica.

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Comirnaty

Mais conhecida como a vacina da Pfizer, é mais uma que dá esperança aos brasileiros e, ao mesmo tempo, esteve envolvida em questões políticas.

O imunizante da farmacêutica em parceria com o laboratório BioNTech se baseia na tecnologia de RNA mensageiro.

Dessa forma, O RNA mensageiro sintético dá as instruções ao organismo para a produção de proteínas encontradas na superfície do novo coronavírus, que estimulam a resposta do sistema imune.

Em suma, é a vacina com o maior percentual de eficácia, com 95% após a segunda dose (até 12 semanas após a primeira).

O primeiro lote de vacinas da Pfizer chegou ao Brasil somente em 29 de abril de 2021. Em um acordo assinado pelo Ministério da Saúde e a farmacêutica, em março, com previsão de um total de 100 milhões de doses até o fim do terceiro trimestre de 2021.

Todavia, o Brasil poderia ter recebido a vacina ainda em 2020.

Segundo Carlos Murillo, gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina o governo de Jair Bolsonaro rejeitou três ofertas de 70 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech, cujas primeiras doses poderiam ter sido entregues em dezembro de 2020.

A primeira oferta foi feita em 14 agosto de 2020 e tinha prazo para resposta de 15 dias. Já a segunda e terceira ofertas foram feitas em 18 e 26 de agosto, e também não foram aceitas pelo governo.

Segundo o governo, o Ministério da Saúde não concordava com a forma que a empresa estabeleceu as condições para a compra, pois ela não se responsabilizaria por eventuais efeitos colaterais da vacina.

A fabricante disse que os mesmos termos foram exigidos de outros países que compraram a vacina, como EUA e Reino Unido.

Fato é que a Anvisa aprovou a vacina da Pfizer somente em fevereiro de 2021.

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Covishield

Uma aliança entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca deu origem a produção das vacinas covishield. No Brasil, é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 A tecnologia empregada é o uso do chamado vetor viral. Assim, o adenovírus, que infecta chimpanzés, é manipulado geneticamente, para poder ser inserido o gene da proteína “Spike” (proteína “S”) do coronavírus.

Com uma eficácia de 76% após a primeira dose e 81% após a segunda (12 semanas), essa tecnologia, assim como a utilizada nas vacinas da Pfizer, faz sua estreia global na pandemia.

Popularmente chamada de AstraZeneca, a vacina ficou conhecida por seus efeitos mais fortes em muitos que a tomaram. Todavia, curiosamente, as reações adversas costumam ser mais leves e menos frequentes entre pessoas com mais de 65 anos.

Diante do aumento da produção da Fiocruz, o imunizante vem ganhando destaque no país.

Vacina da AstraZeneca é 82,4% eficaz com doses aplicadas em intervalo de  três meses

A quilômetros da linha de chegada

A corrida pela vacina, em nosso país, ainda está longe de terminar.

Cerca de 23,3 milhões de brasileiros já tomaram as duas doses. Ou seja, 11% da população.

Desse modo, novas vacinas ainda devem chegar ao país, além da já mencionada Janssen. Como a Convidecia, fabricada pela chinesa Cansino, e a russa Sputnik V, que, atualmente, vive um impasse com a Anvisa.

Vale lembrar que governadores e prefeitos podem comprar os imunizantes desde o dia 23 de fevereiro de 2021, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que estados e municípios comprem e distribuam vacinas contra a Covid-19.

Diante de um cenário tão específico, o Brasil tenta, aos trancos e barrancos, vacinar a população. A fim de tentar retomar a tão sonhada vida normal.

Na corrida pela vacina, o país demorou para dar a largada e, agora, corre contra o tempo para tentar recuperar uma sociedade tão afetada.

Que não seja por política, que não seja por questões ideológicas, que não seja por ego, que não seja por dinheiro.

Mas, que seja, somente, pelas mais de 480 mil vidas perdidas, em nosso país.

Raio-x da pandemia: o Brasil que Queiroga recebe de Pazuello - BBC News  Brasil

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