Biden x China: entenda a relação do novo líder dos EUA com os asiáticos

Com a substituição de Trump por Joe Biden na presidência dos EUA, muitos acreditavam que a política externa do país com a China mudaria bastante. Mas, na verdade, ela vem mostrando mais continuidade do que ruptura.

Na última quinta-feira (03/06), por exemplo, Biden ampliou a lista de Trump de empresas chinesas em que os americanos não podem investir.

Quer entender como anda a relação dos EUA com a China nesse novo governo? Vamos lá.

Biden e a China: como vai a relação?

Logo a princípio, o que chama atenção como diferença na forma como Biden lida com a China é o seu tom mais moderado. Mas isso não quer dizer que a sua política com a China seja menos combativa.

No início, a estratégia já era de apostar nas alianças ocidentais para fortalecer a posição dos EUA frente à China. E ele também parece não ter tido pressa para conversar com Xi Jinping. O primeiro telefonema entre os dois só aconteceu em fevereiro, e a primeira reunião de alto nível foi em março desse ano.

Essa reunião no Alasca (18-20/03) foi marcada por discussões acaloradas. Foi uma seção na frente dos repórteres, e mais duas fechadas. Por fim, os representantes dos EUA e da China terminaram as reuniões sem liberar um relatório conjunto.

Top U.S., China officials meet in Alaska

Os representantes dos EUA disseram no início que iriam abordar “preocupações com ações da China, incluindo Xinjiang, Hong Kong, Taiwan, cyber ataques nos EUA, e coerção econômica nos nossos aliados“.

Por outro lado, os representantes da China acusaram os EUA de usar sua força econômica e militar para obstruir fluxos comerciais, e incentivar um sentimento ‘anti-China’.

Desde que assumiu em janeiro, Biden disse que endureceria a política com a China. Ele manteve várias políticas do governo anterior, mas retomou algum contato, como na visita do enviado especial para o clima a Shanghai no mês passado.

Mas a política de Biden para a China é tida como menos ofensiva que a de Trump. Ele tem a China como ‘seu maior competidor’, mas não como um ‘oponente’, como tem a Rússia.

Joe Biden GIF by GIPHY News
  • Quer saber como a China vem se tornando líder na nova economia global? Leia mais sobre isso clicando aqui.

E as tarifas?

Além de seguir o rumo de Trump na segurança e cooperação reduzida com a China, outra área de continuidade vem sendo a econômica.

Durante a campanha, Biden criticou as tarifas de Trump sobre a China, porque elas teriam um efeito negativo na economia americana. Afinal, um estudo da Federal Reserve mostrou que elas já teriam custado pelo menos 100.000 empregos ao país.

US-China Trade War: Economic Causes and Consequences – ERI
Variação das tarifas americanas e chinesas, de 2018 a 2020 (Fonte: Eurasian Research Institute)

Mesmo assim, o seu governo optou por manter as tarifas como estão, pelo menos por enquanto.

Outra área de destaque na competição entre os dois países é a de tecnologia. Para lidar com isso, ele está trazendo uma proposta ambiciosa de aumentar os gastos em infraestrutura e pesquisa e desenvolvimento no seu país.

Da mesma forma, no Congresso, essas medidas são defendidas por causa da necessidade de competir com a China e de evitar que ela consiga dominar essas áreas. Então, os EUA vão investir em tecnologia para não perder sua parte nesse mercado, em que a China vem ganhando espaço.

Assim, como complemento a essas medidas de investimento, os EUA também procuram diminuir a difusão da tecnologia chinesa. Isso por meio de restrições na importação, bem como no investimento, em produtos e empresas chinesas.

Você pode ler sobre a guerra comercial entre China e EUA, durante o governo Trump, clicando aqui, ou também sobre a crise diplomática entre os dois, aqui.

A lista de empresas proibidas

Em novembro de 2020, Trump assinou um decreto que requeria que investidores dos EUA retirassem totalmente os seus investimentos em algumas empresas chinesas. Isso porque elas poderiam estar ligadas ao exército chinês.

Agora, Biden ampliou essa lista, que foi de 48 para 59 empresas.

Sendo assim, a lista ampliada de Biden começa a valer em 02/09. Entre as empresas que foram adicionadas, estão a Huawei, Hikvision, e as grandes empresas de telecomunicações, como a China Mobile e China Unicom.

Dessa forma, isso vai atingir também fundos que invistam nessas empresas. Quem já tiver investimentos em alguma delas vai ter até um ano para vender a sua parte.

A razão dessa ampliação é a possível relação dessas empresas com tecnologias de vigilância.

Além disso, assessores de Biden disseram ao New York Times que isso representa um compromisso contra a repressão chinesa e abusos dos direitos humanos.

A China ainda não disse se vai responder a isso. Mas, na época da lista de Trump, o país adotou medidas contra empresas americanas.

Até agora, essa é uma das medidas mais agressivas de Biden para a China. Isso pode ser um sinal de que ele vai usar algumas das mesmas táticas de Trump, para se manter na competição com a China. No longo prazo, o sucesso da política externa de Biden pode depender em grande medida de como ele lida com a situação da China.

Biden China Joe Biden GIF - BidenChina JoeBiden XiJinping GIFs

E você, o que acha dessa situação? Deixe nos comentários sua opinião e envie o texto para seus amigos!

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Post Anterior

Voto impresso: Quais são os prós e contras?

Proximo Post

Onde Está São Paulo em relação ao mundo?

Talvez você goste